14 setembro 2012

DDF1. Querida, Encolhi as Crianças

DDF1. Um filme que lembre a sua infância


Quando, em 1989, Querida, Encolhi as Crianças (Honey, I Shrunk the Kids) chegou aos cinemas, ninguém botava fé no lançamento da Disney que pretendia juntar comédia e ficção científica em um filme de aventuras para crianças. Porém, a repercussão positiva da produção nos anos seguintes mostrou que a equação dava certo, principalmente em um mundo cada vez mais tomado pela tecnologia. O roteiro, propositalmente inverossímil, conta a história de um pai que encolheu os próprios filhos em um acidente de percurso nos seus experimentos científicos.

Este pai, o cientista maluco Wayne Szalinski, é vivido pelo hilário Rick Moranis que, à época do lançamento, estava mega conhecido devido à participação no filme Os Caça-Fantasmas (1988). A vida do protagonista se resume a passar a maior parte do tempo trancado no sótão/laboratório a fim de concretizar um projeto antigo: construir um miniaturizador de matéria, ou seja, uma máquina com raios que encolhem qualquer tipo de objeto. O invento estava dando problemas de funcionamento até o dia em que, com o objetivo de buscar uma bolinha de beisebol que caiu no sótão, os dois filhos de Szalinski, em companhia do filho do vizinho, sem querer, acionam a máquina, que os diminuem numa proporção de poucos centímetros.

A aventura começa a partir deste ponto. O que parecia um simples cachorro transforma-se em um monstro gigante. O aspirador de pó torna-se ensurdecedor e assustadoramente perigoso. A inofensiva grama do jardim agora é uma floresta com muitos perigos a solta, como formigas carnívoras e abelhas que cruzam o céu em busca de uma presa fácil. Mais do que tentarem avisar os adultos que eles estão ali, debaixo dos seus narizes, as crianças precisam sobreviver.

Para completar a magia da aventura, o diretor Joe Johnston, que em 1994 confirmaria seu talento a frente do clássico Jumanji, utilizou diversos efeitos especiais que contribuíram para criar a atmosfera lúdica a que se propõe Querida, Encolhi as Crianças. Até hoje, quando a Rede Globo por vezes exibe a produção, não consigo desgrudar os olhos deste clássico da minha infância.

Por volta de 1995, quando o vi pela primeira vez, sonhava em ser encolhido e enchia-me de coragem para enfrentar meus medos de garoto. Ao mesmo tempo, tremia de medo com a possibilidade de ter de lutar contra uma formiga gigante e suas garras pegajosas ou ser engolido pelas lâminas afiadas de uma máquina de cortar grama. Posso afirmar que esta produção me ajudou a sonhar, a treinar minha imaginação. Se hoje eu consigo enxergar numa simples xícara de leite a calmaria de um lago de águas brancas, foi por culpa de filmes como este.

QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS (Honey, I Shrunk the Kids)
LANÇAMENTO: 1989 (EUA)
DIREÇÃO: Joe Johnston
GÊNERO: Ficção Científica
NOTA: 9,0

08 setembro 2012

O Desafio dos Duzentos Filmes

Minha cabeça vira um caos quando eu não eu tenho um horizonte a perseguir nos meus projetos. Prefiro continuar na ignorância dos pré-Galileu e enxergar o fim do mundo logo ali, após o limite da vista, em vez de girar, girar e girar sem rumo. Gosto de prazos, não os que sufocam, mas os que disciplinam. Respeito as metas, desde que elas respeitem as minhas limitações e não me obriguem a ser quem eu não sou.

Foi principalmente por esse motivo que o 1/3 ficou desatualizado por tanto tempo. Além do último semestre do curso de jornalismo, que me tirou algumas horas de sono por noite e o ânimo de escrever sobre qualquer coisa que fugisse do tema do TCC, eu não conseguia encontrar motivos para me concentrar em algo inconsistente. Pode parecer meio incompreensível pra muita gente, mas por pouco mais de um ano deixei de escrever sobre vários assuntos pois eles não estavam inclusos em um projeto maior, enfocados de tal maneira que completassem um ciclo, ou conversassem com as outras postagens.

O projeto TOP 1/3, que rendeu o primeiro ano de atividades do blog, foi a concretização da vontade de escrever sobre cinema e uma forma de me manter atualizado e periódico nas publicações. De maio de 2010 ao mesmo mês do ano seguinte, eu me dediquei a criticar cada um dos 82 filmes vencedores do Oscar até aquele momento (hoje já são 84, com a vitória de O Discurso do Rei e O Artista).

Só consegui me manter ativo nas postagens com a contagem regressiva dos dias e filmes restantes. A pressão de ter o prazo de um ano para finalizar o projeto me motivou a produzir e a manter o 1/3 atualizado. Sendo assim, meu retorno a redação blogosférica não poderia ser de outra maneira. Através do mesmo esquema de metas, inicio hoje mais um projeto!

O Desafio dos Duzentos Filmes (DDF) é maior, mais longo e muito mais ousado que o TOP 1/3. Em parceria com o Facebook, rede onde nasceu o Desafio dos 100 Filmes, inspiração pro meu projeto, eu terei 200 semanas para criticar cada um dos filmes que compõem a lista abaixo. Mesmo com um prazo aparentemente mais folgado (são quase 4 anos de projeto), a pressão não diminui e o trabalho é pesado.  Espero poder contribuir com o retorno de vocês nos comentários e nas curtições pelo Facebook. Boa sorte para mim!!

DDD - O DESAFIO DOS DUZENTOS FILMES

01. Um filme que lembre a sua infância
02. Um filme que marcou a sua adolescência
03. Um filme que passe na Sessão da Tarde e que você adora
04. Um filme que você considera um clássico
05. O melhor filme de seu diretor favorito
06. Um filme de vampiro
07. Um filme que você gostaria de ter assistido no cinema e não viu
08. Um filme ruim de um diretor bom
09. Um filme de baixo orçamento que você tenha gostado
10. Um filme com uma ótima música-tema
11. Algum filme que te traga boas lembranças
12. Um filme que você dormiu antes de terminar
13. Algum filme que você nunca conseguiu assistir inteiro
14. Um filme que tenha sido baseado em um livro
15. Um filme que tenha participação de algum famoso que não seja ator
16. Um filme que utilizou de cenas reais
17. Um que ganhou o Oscar merecidamente
18. Um filme que você nunca assistiria de novo
19. O melhor documentário
20. Um filme que possui uma excelente trilha sonora
21. Algum filme que te faça rir
22. Um filme bom com um final péssimo
23. Um filme que você gostou mas tem vergonha de falar
24. Um filme que te dá medo.
25. Um curta-metragem
26. Um filme que lembra a sua família
27. Um péssimo filme
28. Um excelente musical
29. Filme baseado em um jogo
30. Um filme que você não entendeu ou teve dificuldade de entender
31. Um bom filme infantil
32. Algum filme de época
33. Um filme que você não indicaria
34. Um filme de epidemia
35. um filme que fica na cabeça
36. Um filme de humor negro
37. Um filme de atores desconhecidos
38. Um bom filme de máfia
39. Um filme que possui uma frase de efeito (cite a frase)
40. Um filme que lançou algum ator famoso
41. Um faroeste
42. Algum filme que te fez chorar
43. Um ótimo filme de guerra
44. Um filme de um diretor não muito conhecido
45. Um filme que te deprima
46. Um filme que você gostaria de atuar
47. Um filme ridículo
48. Algum filme que tenham te contado o final antes de você assistir
49. Um filme que seja biográfico
50. Um filme paródia
51. Um filme para assistir a dois
52. Um filme cult
53. Algum filme com mérito pouco reconhecido
54. Um filme cujo personagem principal é um animal
55. Um filme de enredo simples
56. Um filme com muito sangue
57. Um filme preto e branco
58. O último filme que você assistiu
59. Uma comédia sem graça
60. Um filme complexo
61. Um filme que não faça sentido
62. Um filme de zumbi
63. Um filme mudo
64. Um filme muito meloso
65. O próximo filme que você quer assistir
66. Um filme com seu ator favorito
67. Um filme em que o trailer tenha sido melhor que o filme
68. Um filme nacional
69. Um filme gravado em um lugar exótico
70. Um filme em que o título seja um nome próprio
71. Algum filme que você considere pesado
72. Um filme que tenha um personagem que lembre alguém de sua familia ou algum conhecido
73. Um filme que o protagonista seja uma criança
74. Um filme com grande bilheteria
75. Um filme de catástrofe
76. Um filme "trash"
77. A melhor saga de filmes
78. Um filme com numeral no título
79. Um filme para reflexão
80. Um filme com mensagem subliminar
81. Um filme que o segundo tenha sido melhor que o primeiro
82. Um filme q nao obedece uma ordem cronológica
83. Um filme com cena de sexo explicito
84. Um filme de animação
85. Algum filme cujo final é surpreendente
86. Um filme que não deveria ter feito continuação
87. Um bom filme de comédia
88. Um filme que o diretor também atue
89. Um filme com um vilão inesquecível
90. Um bom filme de ficção científica
91. Um filme que você já assistiu várias vezes
92. Um filme que o protagonista morre
93. Algum filme da década de 80
94. Um filme muito longo
95. Um lançamento
96. Um filme que foi fracasso de bilheteria
97. Um filme com título esquisito
98. O primeiro filme que vier na sua cabeça
99. Um filme de serial killer
100. Um filme que você queira recomendar
101. O melhor filme do ano passado
102. Um filme baseado em série de TV
103. Um filme que não foi lançado e que você está na expectativa
104. Um filme com criança malvada
105. Um filme brasileiro com ator estrangeiro
106. O melhor filme de Spielberg
107. Um filme com super-herói
108. Um filme baseado em caso real
109. Um filme sobre abdução
110. Um remake
111. Um filme em que você se identifica com algum personagem
112. Um filme sobre o alcoolismo
113. Um filme que deveria virar um seriado
114. Um filme de piratas
115. Um filme sobre infidelidade
116. Um filme muito violento
117. Um filme sobre o holocausto
118. Um filme com um monstro gigante
119. Um filme japonês
120. Um filme de vida após a morte
121. Um filme sobre poderes paranormais
122. Um filme clássico da Disney
123. Um filme com uma cena nojenta
124. Um filme pós-apocalíptico
125. Um filme sobre terrorismo
126. Um filme de fuga
127. Um filme de suspense
128. Um filme infantil triste
129. Um filme que tenha um personagem que seja um presidente
130. Um filme com um personagem muito feio
131. Um filme baseado em história em quadrinhos
132. Um filme com robô
133. Um filme do Clint Eastwood
134. Um filme baseado em um livro do Stephen King
135. Um filme sobre entorpecentes
136. Um filme dos anos 70
137. Um filme de bruxas
138. Um filme baseado em uma peça de teatro
139. Um road movie
140. Um filme de amizade na infância
141. Um filme sobre cinema
142. Um filme com um casal marcante
143. O melhor filme dos Trapalhões
144. Um filme que se passa no fundo do mar
145. Um filme que tenha uma morte inesperada
146. Um filme sobre preconceito
147. Um filme do gênero fantasia
148. Um filme em que o protagonista seja um policial durão
149. Um filme que se passa em um navio
150. Um filme da década de 60
151. Um filme sobre a guerra do Vietnã
152. Um filme oriental de terror
153. Um filme sobre roubo a banco
154. Um filme da Pixar
155. O pior filme de super-herói
156. Um filme do Woody Allen
157. Um filme em que o personagem principal seja um idoso
158. Um filme estrangeiro com ator brasileiro
159. O pior filme de M. Night Shyamalan
160. Um filme bom com um artista que você não goste
161. Um filme épico
162. Um filme em que os personagens sejam alunos
163. Um filme baseado em um livro infantil
164. Um filme que envolva um esporte
165. Um filme que reúna histórias independentes
166. Um filme com o tema religião
167. Um filme com uma relação marcante entre pais e filhos
168. Um filme que tenha sido proibido em algum país
169. Um filme que se passe em apenas um ambiente
170. Um filme sobre alienígenas
171. Um filme com um personagem insano
172. Um filme que tenha cena de bullying
173. O pior filme do seu ator preferido
174. Um filme em que o protagonista apresente alguma deformidade
175. Um filme sobre viagem no tempo
176. Um filme de artes marciais
177. Um mockumentary
178. Uma cinebiografia de músico
179. Um filme de tribunal
180. Um filme que tenha um personagem homossexual
181. Um filme em que o cenário seja uma ilha
182. Um filme em que o personagem principal seja professor
183. Um filme que junte personagens de franquias diferentes
184. Um filme que acontece em um avião
185. Um filme com um personagem burro
186. Um filme distópico
187. Um filme que você chorou de rir
188. Um filme de fantasmas
189. Um filme de animal assassino
190. Um filme considerado de “mulherzinha” que você gostou
191. Um filme que deveria ter tido continuação
192. Um filme sobre a Primeira Guerra Mundial
193. Um filme em que você torceu pelo vilão
194. Um filme sobre o Natal
195. Um filme que pareça com a história da sua vida
196. Um filme cujo tema central sejam carros
197. Um filme sobre gravidez na adolescência
198. Um filme que conta a vida de um atleta
199. Um filme em que o protagonista contracene com personagens animados
200. Parabéns! Você finalizou a segunda rodada do desafio. Contribua indicando mais um filme...


08 abril 2012

Conhecendo os Brasis

O 1/3 está de volta em sua temporada 2012. Depois de quase um ano de folga, eu volto com novo design, novos projetos e postagens quentinhas saindo do forno a partir de hoje. Seja bem vindo e curta minha página no Facebook por aqui, o novo canal de comunicação entre o 1/3 e você!

Este feriadão foi farto em boas surpresas cinematográficas: desde Jogos Vorazes, filme pelo qual eu mantinha um preconceito bobo até quando descobri a intensidade simbólica nas entrelinhas do seu roteiro super interessante, passando por A Letra Escarlate, adaptação de Wim Wenders pras telonas da obra prima do norte-americano Nathaniel Hawthorne, e acabando em Matrix. É isso mesmo que você leu. Eu ainda não conhecia o mundo paralelo criado pelos irmãos Wachowski que revolucionou a ficção científica no fim do século passado.

A surpresa mais grata, no entanto, ficou com uma produção nacional. Xingu, o novo trabalho de Cao Hamburguer (O Dia em que Meus Pais Saíram de Férias), estreou na última sexta, dia 6 de abril, e tem cara de tratado antropológico (ainda que básico) sobre a relação entre os brancos e os índios. A trama conta a história dos irmãos Villas-Bôas, que dedicaram praticamente a vida toda na construção de uma área exclusiva para os povos indígenas que sobreviveram ao impulso civilizatório dos portugueses nos séculos anteriores.

No entanto, o inimigo, agora, é outro. O desenvolvimento econômico e a visão de que a população indígena não é economicamente ativa, o que atrasaria a evolução do país, faz com que um governo após o outro não pense na preservação da cultura milenar dos índios e os dizime como se deles não dependesse nossa própria história.

É aí que entra o trabalho dos Villas-Bôas. Num mergulho etnográfico de mais de 20 anos, Leonardo (Caio Blat), Cláudio (João Miguel) e Orlando (Felipe Camargo) foram pioneiros na aproximação pacífica das tribos mais reclusas do país e na consciência de que as terras que grileiros, latifundiários e governo disputaram durante séculos, na verdade, nunca foram “de ninguém”, como gostam de classificar até hoje (vide o atual caso da Usina de Belmonte).

Este drama, baseado em fatos reais, deixa qualquer brasileiro consciente tocado com a luta de brancos ricos que poderiam estudar na Europa, mas largaram tudo para viver em meio à floresta Amazônica defendendo cidadãos injustiçados pelas consequências de uma política desenvolvimentista. Xingu também toca aqueles que desconheciam a história dos Villas-Bôas, a existência de um parque nacional para a convivência entre os índios e, mais do que isso, aqueles que desconhecem o Brasil.

Ouso editar Aldir Blanc que, em Querelas do Brasil, afirmou que “o Brazil não conhece o Brasil”. Na verdade, nem o próprio Brasil conhece o Brasil. Por isso precisamos de mais obras como essa para formarmos novas gerações conscientes e que daqui a alguns anos nossas crianças ainda saibam quem foram os índios e qual a importância eles tiveram para a nossa história.

P.S.: As semelhanças temáticas com a megaprodução Avatar, de James Cameron, são evidentes. A estrutura dramática é praticamente a mesma, do começo ao fim. O que distingue os dois filmes, no entanto, é o tratamento poético dado a Xingu, que distancia a produção nacional, mais artística, da verve predominantemente comercial de Avatar (o que não tira seu valor para o cinema).

04 maio 2011

NãPAM - Franquia Pânico

O primeiro Não Perca Antes de Morrer da nova temporada do 1/3 traz como dica imperdível a série de filmes que revolucionou o terror na década de 90 e que, dez anos depois, estreia sua quarta e (ao que tudo indica) última parte. Depois da geração Jason e Freddy Krueger, Wes Craven (que já tinha produzido A Hora do Pesadelo anos antes) presenteou os fãs do gênero com um fôlego nunca antes conquistado no terror. Sam Raimi até tentou imputar um humor pastelão em suas Noites Alucinantes da década de oitenta, mas foi Craven quem determinou que uma máscara cafona, tombos do assassino em momentos estratégicos, uma mira sofrível, alguns erros de continuidade explícitos e o que se convencionou chamar de metalinguagem cinematográfica moderna pudessem ser as novas regras de todo um gênero desde então.(Só para explicar: metalinguagem cinematográfica moderna é a discussão sobre filmes de terror dentro de um filme de terror. Em Pânico, elementos como as regras de sobrevivência, os passos do assassino e a conduta das vítimas são debatidos por cinéfilos de uma High School americana com base na história do cinema de terror do passado. As análises dos estudantes incentivam o ataque do assassino que, supostamente, está entre eles).

Seguidores da descoberta da nova fórmula de se fazer terror, como Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado e Lenda Urbana, ou simplesmente sátiras escrachadas, como Todo Mundo em Pânico, apareceram aos montes e, aos poucos, as novas gerações se acostumaram com a dobradinha humor/ terror como um elemento essencial da nova safra.



Mesmo com uma nova febre em desenvolvimento (os chamados filmes de terror documental, como REC, A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal) Craven decidiu investir na continuação da trilogia, com o trunfo marqueteiro de que a quarta parte da série iria renovar as regras do jogo. O que se vê, no entanto, é o mesmo esqueleto dramático e as mesmas reviravoltas do roteiro, a não ser pelo fato do longa possuir um início e um desfecho muito criativos (diferente do segundo e do terceiro Pânico). Problemas de continuidade e da direção de arte continuam explícitos (assim como nós, fãs, gostamos de ver) e mesmo com o passar do tempo e a possibilidade do uso de ínumeras tecnologias, não se percebe a utilização de efeitos especiais (realismo que, para mim, é ponto positivo).

A tensão e os sustos que os primeiros filmes causam no espectador não se repetem na quarta parte, que apela mais para a comédia e o suspense. Os diálogos são homenagens à trilogia original, com engraçadíssimas tirações de sarros entre os personagens, que sofrem com uma nova chacina em Woodsbooro, 10 anos depois do fim do pesadelo de Sidney Prescott (Neve Campbell), Gale Weather (Courteney Cox) e o xerife Dewey (David Arquette). Todos acham que após a volta de Sidney à cidade (ela foi lançar seu mais novo livro, um auto-ajuda contando como foi sua superação após os assassinatos) todos que estiverem a sua volta irão morrer (o apelido de Sidney passa a ser Anjo da Morte).

Com mais idade e prestígio na pequena cidade, Prescott e Gale (que também estão super botocadas) tentam descobrir qual é a nova fórmula do assassino para tentarem evitar mais mortes (talvez essa seja a única mudança na conduta de Ghostface). Dos quatro longas, é o que possui a segunda justificativa mais plausível e verossímil para o assassino atacar, porém, é o mais deslocado em relação aos outros três (um dos principais fatores é a própria distância temporal de lançamento, obviamente). Apesar da verossimilhança em relação à justificativa, é totalmente inverossímil no que diz respeito a lógica do roteiro, como se pode perceber nos questionamentos abaixo:

Como Dewey demora tanto para chegar de um lugar a outro na cidade, sendo que desde o Pânico 1 se sabe que Woodsbooro é bem pequena? Porque não chamar reforços policiais de distritos vizinhos para auxiliar na captura de Ghostface? Qual é o objetivo em, mesmo sabendo que é para se trancar todas as portas e janelas das casas, deixar alguma passagem sem cadeado decretando, assim, seu atestado de óbito?


Outras questões inerentes ao estilo do terror pregado por Craven e até mesmo à sátira metaliguística que ele faz aparecem também no novo lançamento, como os misteriosos motivos de sair sozinho de casa quando se sabe que há algo de errado acontecendo, a mania (feia) de abrir a porta e sair pelo quintal no escuro ou subir as escadas até o sotão empoeirado (é só para afirmar que é machão?? Vai se dar mal e vai ser bem feito!), enfim, parece que todos os personagens de filmes de terror se inflam de um orgulho besta que só morrendo para se dar conta de que não é assim que as coisas acontecem...


Seja 1, 2, 3 ou 4, Pânico é um divisor de águas na história do cinema de terror, marcou uma geração de apaixonados pelo gênero e volta com todo estilo para matar as saudades dos mais velhos e para apresentar para as novas gerações o que de melhor se fez no fim do século passado (ohhh!). Se fosse para ranquear os quatro filmes da série, diria que minha lista ficaria assim:


4º Lugar: Pânico 3 (2000)
3º Lugar: Pãnico 4 (2011)
2º Lugar: Pânico 2 (1997)
1º Lugar: Pânico (1996)