08 novembro 2010

TOP 1967 - O Homem Que Não Vendeu Sua Alma

Parece que a Academia de Cinema de Hollywood gosta de premiar produções biográficas, mesmo que não apresentem a mesma qualidade técnica que seus adversários. No ano de 1967, mesmo que a minha teoria esteja certa, o principal vencedor do Oscar também contou com um mestre na direção: Fred Zinnemann. As duas características aliadas fizeram com que O Homem que Não Vendeu Sua Alma faturasse os prêmios de Melhor Filme, Direção, Roteiro, Ator e Fotografia.

Zinnemann, o aclamado diretor de Matar ou Morrer e A Um Passo da Eternidade (que conquistou o Oscar no final da década de 40) conseguiu resumir nas telonas a importância da existência de Thomas More, estadista inglês do século XVI que revolucionou a forma de se pensar o Estado ao desobedecer o rei Henrique VIII e dar sua vida pela Igreja Católica e por suas convicções enquanto exemplo de moralidade cristã.

Mesmo não sendo muito atraído por filmes épicos, confesso que me impressionei com a ambientação típica que o filme promove e com a adaptação da linguagem, que pediu mais erudicidade pela época em que o filme ocorre. Todas as cenas são indispensáveis e contribuem para que consigamos compreender toda a história (principalmente para quem não conhecia muito bem a vida do biografado, como eu).

O ponto negativo é que, mais do que uma biografia, a produção parece se tratar apenas de um perfil, uma vez que não se dedica a apresentar toda a trajetória de vida de More (que fez com que ele se tornasse importante para o mundo), mas sim apenas o fim de sua carreira e o episódio que envolve o divórcio do rei Henrique VIII. Os inúmeros textos publicado por ele, por exemplo, não são nem mencionados no longa.

O roteiro narra a nomeação de More como Chanceler do reino, as tentativas de Henrique VIII de convencer More a ficar do lado dele e apoiar seu divórcio com Catarina de Aragão (uma vez que ela é estéril e ele precisa de herdeiros para manter a família no poder), além de sua conivência na busca por um novo casamento com Ana Bolena, verdadeira rainha, segundo Henrique VIII. Diante da negação de More, o rei rompe relações com o Vaticano e instaura na Inglaterra a Igreja Anglicana, da qual se auto nomeia chefe absoluto.

Como católico fervoroso, More nega fazer um juramento que admite poder absoluto ao rei (inclusive mais do que Deus) por meio de seu silêncio. A própria divulgação do filme diz: “Seu silêncio era mais poderoso que palavras”. Sua convicção é tão grande que, mesmo condenado a morte por alta traição (por não ter se manifestado) mantem sua dignidade e é degolado (isso não é spoiler, uma vez que o filme é uma cinebiografia).

Paul Scofield, ator que interpreta More e que por sua deslumbrante atuação levou para casa a estatueta de Melhor Ator, é um dos responsáveis por esta obra prima. As cenas em que o protagonista sofre com a injustiça da Monarquia Absolutista do Rei Sol são de arrepiar (destaque para as cenas finais de julgamento, condenação e execução de Thomas).

Naquele ano, ainda concorreram ao posto de Best Picture: O Canhoneiro de Yang-Tsé (The Sand Pebbles), Como Conquistar as Mulheres (Alfie), Quem Tem Medo de Virginia Woolf (Who's Afraid of Virginia Woolf?) e Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando! (The Russians Are Coming! the Russians Are Coming!).

O HOMEM QUE NÃO VENDEU SUA ALMA (A MAN FOR ALL SEASONS)
LANÇAMENTO: REINO UNIDO (1966)
DIREÇÃO: FRED ZINNEMANN
GÊNERO: DRAMA
NOTA: 8,0

2 comentários:

alan raspante. disse...

Oi fera, tudo bem ?
Acredita que nunca vi este filme, verdade seja dita: nem o conhecia! hahaha.
Ainda bem que tem você com os ganhadores do Oscar, está muito bacana teu projeto.

abs.

Tô Ligado disse...

Opa... já estava ficando preocupado.Achei que havia abandonado seu prijeto inovador!

Abraços