29 agosto 2010

TOP 1960 - Ben-Hur

300 locações, 100 mil figurinos, mais de 8 mil figurantes, meses de filmagem e milhões em investimento. Grandioso em todos os sentidos, Ben-Hur surpreendeu na época em que foi lançado. O realismo com que as cenas são apresentadas é único até aquele momento na história do cinema. Grande também na duração, a trama se constrói em quase quatro horas, porém sem que a história fique cansativa ou massante. Como se trata de um épico (que não é exatamente o estilo de filme que mais gosto), ele não me surpreendeu a ponto de eu achar que se trata do melhor longa de todos os tempos, mas tenho que admitir que é um dos grandes clássicos da sétima arte e deve ser valorizado por isso.

Não só o público, mas também a critica o julgou como superior. Foram 11 estatuetas conquistadas no Oscar, marca recorde, só igualada 38 anos depois, por Titanic. O principal motivo? Talvez o fato de o genial diretor William Wyler ter ousado ao filmar um épico bíblico misturando realidade e ficção por meio de uma narrativa criativa e empolgante. Quem realmente gosta de cinema, não pode perder a oportunidade de conferir de perto essa obra-prima.

Entretanto, o filme caminha no contrafluxo das produções da época, que buscavam fugir do classicismo dos diretores das décadas de 30 e 40. O cinema moderno estava cada vez mais presente nas salas de cinema e, mesmo assim, Ben-Hur ainda conserva o protagonista herói, imaculado, que merece nossa torcida e afeição, enquanto que o time dos “amigos do Cidadão Kane” prezavam muito mais a inovação de narrativa, a inversão, o ineditismo, o protagonista mais humanizado, ou seja, vulnerável a sentimentos e ações condenáveis moralmente e a imprevisiblidade do roteiro (e, no filme de hoje, o roteiro é totalmente previsível).

O protagonista herói descrito acima é Judah Ben-Hur (Charlton Heston – Melhor Ator daquele ano), mercador judeu traído por seu antigo amigo Messala (Stephen Boyd), que foi influenciado pelo exército romano a se filiar e lutar pelo extermínio de todos os nativos da Judeia (e acaba sendo nomeado por César como oficial comandante da legião romana responsável por aquela região). Depois de ser enviado às galés (porões das embarcações de guerra), e ter irmã e mãe trancadas para sempre nos calabouços romanos, Ben-Hur jura vingança à Messala quando retornar. Depois de comer o pão que o diabo amassou nas mãos do inimigo, consegue escapar, mas descobre que sua família está no Vale dos Leprosos, à beira da morte.

A oportunidade da tão esperada vingança se dá com uma das cenas mais comentadas da história: a corrida de bigas. A sequência, que demorou mais de dois meses para ser gravada, instiga pela perfeição estética diante da precariedade tecnológica da década. O conflito Ben-Hur x Messala garante dezessete minutos de pura emoção e adrenalina ao espectador, além de mudar o rumo da história, pois é a partir do resultado do embate que Judah passa por um processo de mudança de consciência, sendo influenciado por um judeu que falava para as multidões e incentivava o amor e a compaixão ao próximo: Jesus Cristo.

Por meio de algumas aparições tímidas do Filho de Deus (sempre de costas, por impedimento da censura da Igreja Católica), a história de Judah vai se desenvolvendo paralelamente, como se entre as duas não houvesse nenhuma relação. É depois da metade da película que entendemos que a vida pública de Jesus, seus milagres, seu julgamento e sua crucificação influenciarão decisivamente na conduta moral de Ben-Hur. Alíás, o filme acaba na morte de Cristo, numa das cenas mais elogiadas da produção (realmente é bem emocionante, principalmente para quem, assim como eu, teve uma formação católica).

Além de Melhor Filme e Direção, o épico conquistou os prêmios de Ator, Ator Coadjuvante, Figurino, Montagem, Efeitos Visuais, Fotografia, Som, Direção de Arte e Trilha Sonora de Drama ou Comédia concorrendo com Uma Cruz à Beira do Abismo (The Nun's Story), Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder), O Diário de Anne Frank (The Diary os Anne Frank) e Almas em Leilão (Room at the Top).

BEN-HUR
LANÇAMENTO: EUA (1959)
DIREÇÃO: WILLIAM WYLER
GÊNERO: AVENTURA/ DRAMA
NOTA: 8,8

4 comentários:

Rodrigo Mendes disse...

Olá Gui!

Ótima resenha deste clássico absoluto, grandioso em proporções épicas. De encher os olhos e a corrida de bigas? Extraordinário!

Nada como o saudoso Charlton Heston para compor este tipo de protagonista herói que você diz.

Planeta Dos Macacos, Os Dez Mandamentos, enfim, seguem a mesma linha, mas Ben Hur é o meu favorito do ator.

Abraços,
Rodrigo

pseudo-autor disse...

Pra mim, o único filme realmente merecedor das 11 estatuetas do Oscar. E o Charlton Heston foi uma lenda mesmo!

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

alan raspante. disse...

Ahh Gui, este filme é excelente. Um dos meus clássicos favoritos e um grande épico do cinema!
Ótima Crítica!

Gui, fui hackeado nesta segunda, algum indíviduo conseguiu a minha senha e trocou, enfim não tenho mais acesso. Até cheguei a fazer um outro endereço e fiz um tipo de explicação http://www.cigarrosefilmes.blogspot.com/, afinal não quero ainda sair deste mundo de blogs, haha.
Enfim, é isso.

Marcia Moreira disse...

Ben-Hur: o que eu posso falar sobre este clássico.