Que o entretenimento supera o valor artístico da obra, é fato, mas quem não delirou ao assistir as inovações técnicas que Spielberg conseguiu em Jurassic Park, ou os impressionantes efeitos de Transformers, ou ainda quem não invejou os poderes físicos do Exterminador do Futuro? Todos nós temos necessidade de sermos puro entretenimento, de deixarmos ser levados, por meio da catarse, ao infinito mundo dos sucessos hollywoodianos. Sem vergonha alguma, admito que sou comercial. Para se ter uma idéia, sabem qual é o meu filme preferido (de todos os tempos)? Jumanji, não apenas por achar que o roteiro é um dos melhores já feitos e ser fã do Robin Willians, mas pelo filme, ao melhor estilo “Sessão da Tarde” de ser, me remeter à minha infância e as aspirações de um garoto que queria apenas crescer.
Dessa forma, acho de uma hipocrisia sem tamanho certos metidos a intelectuais que repudiam as produções voltadas ao exclusivo lazer, abdicando-as às custas de longas cult que apenas reforçam o preconceito de um grupo restrito e cada vez mais fechado em seu mundinho erudito. Adoro entender e enxergar a diferença qualitativa entre o que é bom e o que é ruim, assistir tudo o que me aparece pela frente e, só então, filtrar o que me agrada, que quase sempre não inclui apenas as produções artísticas. Gosto de me deixar levar...

Para quem ainda não conhece (o que acho impossível) a história do longa, ele é o retrato de um dos maiores acidentes marinhos da história: o naufrágio do transatlântico que prometia ser “inafundável”. Em 1912, em sua primeira e única viagem, um iceberg inesperado pegou a tripulação de surpresa ao cruzar o caminho do navio, que em poucas horas estava submerso, levando consigo milhares de vidas. Para roteirizar tal acontecimento sem torná-lo protagonista de um documentário, o diretor James Cameron, com base em nomes de passageiros reais, criou a história de amor entre Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) e Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet), de classes sociais distintas, que tiveram de lutar para sobreviver, ao mesmo tempo em que desafiaram o poder do dinheiro para ficarem juntos.
Muito criticado por ser recheado de clichês, o roteiro realmente não é um poço de criatividade, mas, conjugado a perfeição técnica (o que inclui figurino, maquiagem, efeitos especiais, som e fotografia), os estereótipos convencem e se tornam um mero detalhe em meio ao espetáculo visual para o qual somos transportados. A mídia mundial contribuiu para que Titanic, mesmo depois de ser lançado, se tornasse sinônimo de obra superestimada, fato que desencadeou a enxurrada de referências ao longa, seja com o lançamento de inúmeras versões de My Heart Will Go On, trilha oficial do filme (inclusive nas vozes de nossos amiguinhos Sandy e Junior), ou pela banalização precipitada da obra. Hoje conseguimos olhar para o filme com olhos menos afiados e entender que, além de um mero fruto da especulação midiática, Titanic é um dos maiores longas da história (literalmente, uma vez que possui 194 minutos) e serve de referência para qualquer aspirante à cineasta.
Titanic arrecadou quase 2 bilhões de dólares pelo mundo (uma das maiores da história do cinema) e conquistou 11 estatuetas de 14 indicações (alçando o primeiro lugar no ranking do Oscar, tendo se igualado ao badalado Ben-Hur, de 1959). Em 1998, ainda concorreram ao prêmio de Melhor Filme mais quatro produções (como de costume). São elas: Melhor é Impossível (As Good As It Gets), que deu a Jack Nicholson a estatueta de Melhor Ator e a Helen Hunt a de Melhor Atriz naquele ano; Los Angeles – Cidade Proibida (L.A. Confidential), Ou Tudo Ou Nada (The Full Monty) e Gênio Indomável (Good Will Hunting).
TITANIC
LANÇAMENTO: 1997 (EUA)
DIREÇÃO: JAMES CAMERON
GÊNERO: DRAMA/ ROMANCE
NOTA: 9,9
5 comentários:
Eu não tenho vergonha de admitir que gosto de todos os tipos de filmes. Até os de fato ruins, eu assisto mais de uma vez para poder criticar!
Abs.
Rodrigo
ótimo texto Gui! Concordo contigo, virou moda gostar de filmes cults e se revoltar contra os comerciais. Eu, particularmente, adoro todos os estilos principalmente se for uma comédia romântica recheada de clichês! hehehe
Acho que meu filme favorito de todos os tempos, é "Elvira - a rainha das trévas' (o filme num top 10 ficaria em terceiro, perdendo para "Laranja mecânica" e "As Horas"...) acho o filme incrível em todos os sentidos! Uma comédia de humor negro hilária.
Titanic, pra ser sincero, nunca foi um grande filme para mim, pelo fato de ter enjoado de já ter visto, rs Mas tem que ser reconhecido a grandeza deste filme em diversos aspectos. Excelente, creio que será lembrado como clássico daqui há um bom tempo.
Abraços :)
Lembra do comentario sobre o mocinho morrer no fim. Odiei Titanic!
Titanic ser admirado ainda vai (foi um filme que marcou época ao redor do mundo). Ridículo é uma pessoa dizer que adora Batman e Robin, do Joel Schumacher. Fala sério! Não vêem que essa pessoa é cega e não estava indo para o cinema, mas estava - isso sim - perdida?
cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com
um dos meus filmes favoritos!
http://filme-do-dia.blogspot.com/
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