09 março 2011

TOP 2005 - Menina de Ouro

A qualidade do cinema de Clint Eastwood, desde seu último faroeste em 1992 (Os Imperdoáveis), ganha cada vez mais estilo, profundidade dramática e beleza. O cineasta de mais de 80 anos só se dedica a projetos que falam alguma coisa de si mesmo, numa espécie de filmografia autobiográfica. Alguns temas são recorrentes em suas obras, como a culpa, o remorso, o apego, o rancor, a desilusão, a saudade, a família e a expurgação dos pecados. Quanto mais sábio se torna, Eastwood aumenta sua capacidade de nos presentear com longas sinceros, delicados e extremamente bons. É uma pena que não tenha começado mais cedo, dedicando mais da sua já extensa carreira como diretor com obras-primas como Menina de Ouro, vencedor da categoria Melhor Filme no Oscar 2005.

O filme é todo poesia, permeado de detalhes do roteiro que garantem momentos inesquecíveis para o espectador e para a história do cinema, que ganha em qualidade de direção e interpretação. A riqueza e profundidade dramática fazem com que uma obra que é aparentemente centrada no boxe ganhe inúmeros contornos, impossibilitando quaisquer rótulos. Falando em boxe, é ele o catalisador dos sofrimentos dos três principais personagens: o treinador e dono de academia Frankie Dunn (o próprio Eastwood), o encarregado pela limpeza da academia e ex-pugilista Eddie Scrap-Iron Dupris (Morgan Freeman – vencedor do prêmio de Melhor Coadjuvante naquele ano) e a garçonete que sonha em competir nos ringues Maggie Fitzgerald (Hilary Swanky).

Frankie sofre com a distância física e emocional da filha, Eddie com a perda de um oho durante sua última luta e o consequente ostracismo na carreira de boxeador e Maggie busca carinho, companhia e uma forma de ajudar a família pobre (que mais tarde se mostra bem ingrata) por meio de seu sonho de ser campeã mundial. Machista e cansado da vida, Frankie não aceita treinar uma mulher quando Maggie chega em sua academia. Ela é franzina e totalmente descoordenada, mas mostra sua determinação ao longo de dias e noites que passa treinando sem parar. Dunn decide ajudá-la, e os dois, juntamente com Eddie (que mora num quartinho nos fundos da academia) se tornam tudo que eles têm na vida.

Com treinamento pesado e altas doses de companheirismo, Maggie chega ao patamar que tanto desejava, lutando ao lado da campeã do mundo de boxe. Um incidente, no entanto, muda a vida de todos, mostrando para o rabugento Frankie o verdadeiro valor das pessoas e o quanto Maggie foi responsável por colocar um pingo de esperança no coração de pedra dele. Sem assistir com os olhos de cinéfilo e conhecer a obra de Eastwood, é difícil diferenciar Menina de Ouro de qualquer outro dramalhão oitentista que só serve para derrubar lágrimas dos espectadores (o que no meu caso teria funcionado, já que chorei muito assistindo a película).

A diferença está no tratamento imagético, dramático e interpretativo que só um gênio como Clint pode fazer. Mesmo o longa não possuindo a ousadia técnica de diretores como Danny Boyle, Tarantino e Scorsese (movimentações inusitadas de câmera, angulações inovadoras, cortes imprevisíveis e montagem inusual), é uma experiência única que deve ser vivenciada o mais rápido possível por aqueles que ainda não tiveram essa oportunidade.

Na cerimônia do Oscar em 2005, Menina de Ouro conquistou 4 estatuetas das sete indicações que possuía, sendo elas filme, diretor, atriz e ator coadjuvante. Ainda concorreram ao título de Melhor Filme do ano os longas-metragens a seguir: Ray, Sideways – Entre Umas e Outras (Sideways), o scorsesiano O Aviador (The Aviator) e Em Busca da Terra do Nunca (Finding Neverland).

MENINA DE OURO (MILLION DOLLAR BABY)
LANÇAMENTO: 2004 (EUA)
DIREÇÃO: CLINT EASTWOOD
GÊNERO: DRAMA
NOTA: 9,5

2 comentários:

Kahlil Affonso disse...

não consigo gostar desse filme... até entendo o pq de ter vencido o oscar e o pq de tantas pessoas gostarem dele... mas ele não me afetou em nenhum sentido... 'o aviador' era um filme que merecia muito mais o premio

http://filme-do-dia.blogspot.com/

Tô Ligado disse...

Eu torci tanto para o Em Busca da terra do Nunca... mas veio a menina de Ouro e levou os louros.