Sete anos após a estreia de Melodia da Broadway, vencedor do Oscar de 1930, e primeiro musical produzido em Hollywood, é a vez de um feito bem mais ousado: um musical biográfico milionário, com mais de três horas de duração, centenas de figurantes e que retratava a vida da lenda do bussiness novaiorquino, morto dois anos antes da obra, Florenz Ziegfeld. Refiro-me ao ganhador da estatueta de melhor filme no Oscar de 1937: Ziegfeld, O Criador de Estrelas.
A obra perpassa os altos e baixos da carreira do empreendedor beberrão, mulherengo e nada organizado que alterou a estrutura dos shows musicais da Broadway. Foi através de sua despreocupação com o planejamento financeiro e seus investimentos milionários (muitas vezes por meio de dinheiro emprestado) que os EUA se descobriram celeiro de talentos natos e muitas vezes não aproveitados, valendo-se deles para produzir espetáculos grandiosos e luxuosos.
Uma das principais características de Ziegfeld, ou simplesmente Flo, era não possuir o medo de errar, o que fez com que ele levantasse seu império em meio a críticas e preconceitos. O filme o mostra desde sua juventude, quando sustentava sua miséria no circo, até sua morte, período em que estava igualmente quebrado (resolveu investir na Bolsa em 1929...azar!), revelando a capacidade do empresário em enxergar nas mínimas coisas coreografias grandiosas, cenários luxuosos, números teatrais ousados, enfim, ele queria sempre o melhor, mesmo que, para isso, fosse a falência novamente.
O longa peca ao se alongar demais. Há um número musical que durou 25 minutos! (fiz questão de contar) e, além disso, todos os casamentos e separações com suas “garotas” (follies) são mostrados, o que não dá uma continuidade fluente ao roteiro, que parece que, assim como a carreira atribulada de Flo, não tem fim, cansando o espectador.

As atuações são medianas, com destaque para Luise Rainer, que interpreta Anna Held, uma cantora francesa por quem Flo se apaixona ao contratar para ser sua mais nova artista e se casa pela primeira na vida. Apesar de todas as interpretações serem muito teatralizadas, estamos diante de um musical que se passa nos bastidores e palcos dos teatros por meio de artistas como personagens, então, acho que esse detalhe ameniza uma possível superficialidade interpretativa.
Visualmente, é o mais bem acabado entre os vencedores da Academia até o momento. Mesmo sem cores, conseguimos visualizar a grandeza estética idealizada pelo diretor (e constatada nos palcos por Flo, evidentemente). Documento de uma época, serve para manter viva a lembrança do criador de estrelas dos antepassados de nossos musicais de hoje, fazendo história como a primeira cinebiografia a ganhar como melhor filme. Apesar do virtuosismo estético do diretor Robert Z. Leonard, Frank Capra já começava nesta época a abocanhar estatuetas praticamente todos os anos, o que fez com seu longa, O Galante Mr. Deeds, derotasse Ziegfeld neste quesito.
Ziegfeld, o Criador de Estrelas concorreu em 1937 com mais nove longas, sendo eles: A História de Louis Pasteur (The Story of Louis Pasteur), A Queda da Bastilha (A Tale of Two Cities), Adversidade (Anthony Adverse), Casado com Minha Noiva (Libeled Lady), Fogo de Outono (Dodsworth), O Galante Mr. Deeds (Mr. Deeds Goes to Town), Romeu e Julieta (Romeo and Juliet), São Francisco - A Cidade do Pecado (San Francisco) e Três Pequenas do Barulho (Three Smart Girls).
ZIEGFELD, O CRIADOR DE ESTRELAS (THE GREAT ZIEGFELD)
LANÇAMENTO: 1936 (EUA)
DIREÇÃO: ROBERT Z. LEONARD
GÊNERO: MUSICAL/ BIOGRAFIA
NOTA: 8,0
2 comentários:
Opaaa, dei uma sumida devido alguns compromisso, mas já estou de volta!!!
Boa semana!!
Brunno
que bacana, primeiro filme biográfico, (apesar do musical) parece ser bacana hein Gui!
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