Voltando a falar do melhor filme de 2007, somos apresentados a uma intrincada teia de mentiras, traições e corrupções envolvendo o Departamento de Polícia Estadual de Boston e a máfia irlandesa que lidera as negociações comerciais da periferia da cidade. O chefe da máfia, Frank Costello (interpretado magistralmente por um pervertido, violento e engraçado Jack Nicholson), treina um garoto desde sua mais tenra idade para se tornar um grande policial que tenha predileção pela máfia e possa se tornar infiltrado de Costello para facilitar a vida dos mafiosos.
O escolhido é Collin Sullivan (um dissimulado e resignado Matt Damon), que encontra como sua maior pedra no sapato o policial aparentemente rebaixado Billy Costigan (Leonardo Di Caprio, numa das melhores atuações de sua carreira). A verdade é que, a mando de Queenan, o chefe do departamento de infiltrados da polícia, Costigan se passa por mafioso e passa a trabalhar para Costello como um de seus homens de confiança.

A interpretação do elenco (que é de peso) está deslumbrante, mas acho que o grande destaque da produção fica por conta da montagem (que inclusive ganhou uma estatueta naquele ano). O ritmo frenético das conspirações do roteiro é transpassado para a estética do filme, que possui cenas duplicadas, cortes secos, rápidos e inesperados, transposição de ambientes, passagens intercaladas, enfim, uma série de atributos que garantem uma verdadeira aula de cinema durante a sessão.
A violência obviamente está presente (assim como em todos os filmes de Scorsese), mas de uma maneira que se torna necessária para compor a grandeza narrativa da produção, que não abusa do sangue para conseguir público. É um filme mais voltado para o universo masculino, mas não pode de jeito algum ser comparado com as medíocres ações à la Van Damme que, lançadas aos montes, servem apenas como canalizador de violência reprimida do espectador. Aqui, a complexidade e o aprofundamento cinematográfico falam mais alto.
Em 2007, a disputa ao prêmio de Melhor Filme do ano estava acirradíssima. É que mais quatro excelentes produções disputavam o posto juntamente com Os Infiltrados. São elas: Babel (uma das melhores obras do espanhol Alejandro Iñárritu), o épico A Rainha (The Queen), que inclusive deu a Helen Mirren o título de melhor atriz do ano, desbancando o trabalho perfeito de Meryl Streep como Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada; o divertido Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine) e Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima), obra da fase contemporânea do astuto Clint Eastwood, que consegue chegar a excelência como ninguém.
OS INFILTRADOS (THE DEPARTED)
LANÇAMENTO: 2006 (EUA)
DIREÇÃO: MARTIN SCORSESE
GÊNERO: DRAMA/ POLICIAL
NOTA: 9,0
2 comentários:
Cara, quando acabou esse filme eu estava escondido com medo de morrer tbm. Nào sobou ninguém! rrrrrs
To indo pra Sampa neste fds... qlq coisa c tem meu fone neh?
Abraços
Esse filme é o maior exemplo de mea culpa da história do Oscar. Se a academia fosse premiar o Scorsese todas as vezes que ele mereceu, o diretor seria o mais premiado da história da competição. o que não significa que Os Infiltrados não seja ótimo.
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