19 fevereiro 2011

TOP 2000 - Beleza Americana

Muito se fala na inconsistência das relações interpessoais de nossa época. A contemporaneidade trouxe o afrouxamento e a superficialidade do que se fala, do que se escuta e do que se troca. Nesse âmbito, as manifestações culturais surgem para corroborar essa tese, disseminando a mesma sensação de impotência e de passividade a que somos acometidos todos os dias. O cinema não fica de fora desse filão e sempre aparece com uma ou outra produção que usa da desgraça alheia para nos atentar para a o deslumbramento excessivo e uma potencial geração de sub-humanos. No caso de Beleza Americana, do diretor Sam Mendes, a sociedade moderna americana é o alvo de críticas afiadas que nos fazem refletir sobre o verdadeiro sentido da vida.

Somos apresentados à conturbada família de Lester Burham (Kevin Spacey), um publicitário entediado com o emprego e com a vida que leva. Casado com a infiel Carolyn (Annette Bening) e pai de Jane (Tora Birch), o protagonista inicia o filme com uma narração em off pós-mortem que revela seu assassinato dentro de um ano, mas com a confissão de que já se sente morto naquele momento. Aos poucos, soluções para dar um up em sua depressiva existência vão surgindo, como o uso de drogas, o pedido de demissão somado a um suborno milionário no patrão e malhação excessiva para impressionar a amiga gostosa da filha.

Diferentemente de um roteiro usual (que se propõe a ter um início, um meio e um fim, mesmo que não linearmente), o longa busca apresentar problemas para que nós, espectadores, façamos nossas ponderações de acordo com a comparação das situações apresentadas com nossas próprias experiências. Assim como “Crash – No Limite”, “Magnólia” e “Babel”, Beleza Americana mescla esquisitices para construir um retrato de uma realidade perturbada por algum tipo de mal.

A ironia de Mendes é perceptível desde o título do filme (American Beauty, uma espécie de rosa comum nos Estados Unidos, que funciona como contraponto do caos pelo qual passam os personagens) até as situações exageradas criadas pelo roteiro, capazes de chocar a primeira vista, mas não mais do que radiografias da realidade atual de um mundo capitalista e virtualizado. Todos os personagens e ações são estereotipados (e, por isso mesmo, exagerados) mas, como já revelei (e nunca é demais elogiar o que é bom) apenas demonstram, de forma orgânica e visceral, o cruel mundo em que vivemos e do que as pessoas são capazes para serem felizes, ou esconderem que não são.

Trilha sonora, atuação dos protagonistas e a cena da cama de rosas na qual a amiga de Jane aparece nos delírios de Lester são apenas alguns dos destaques deste vencedor de cinco das oito estatuetas do Oscar nas quais concorreu em 2000. Além dele, entraram na lista de Best Of The Year os longas O Informante (The Insider), Regras da Vida (The Cider House Rules), À Espera de Um Milagre (The Green Miles) e o arrepiante O Sextto Sentido (The Sixth Sense).

BELEZA AMERICANA (AMERICAN BEAUTY)
LANÇAMENTO: 1999 (EUA)
DIREÇÃO: SAM MENDES
GÊNERO: DRAMA
NOTA: 9,0

4 comentários:

Rodrigo Mendes disse...

Gostei da sua dissertação.

O filme de Mendes é o melhor estudo do modo de vida americano sob um roteiro profundo, dramático e engraçado do genial Alan Ball.

Obra marcante!

Abs.
Rodrigo

Tô Ligado disse...

Fala Gui...

Minha net deu pane essa semana, mas ja tow de volta!

Felipe disse...

assista "Vidas Cruzadas".

aí vai o link:

http://www.baixarfilmesdownload.net/baixar/filme-vidas-cruzadas-the-private-lives-of-pippa-lee-dvdrip-xvid-dual-audio/download-gratis

Kahlil Affonso disse...

não sou grande fã do filme, mas entendo o motivo de ele ser elogiado por todos

http://filme-do-dia.blogspot.com/