05 agosto 2010

TOP 1954 - A Um Passo da Eternidade

Recontados em 2001 de uma outra forma por Michael Bay, os dias que antecederam o ataque japonês à base havaiana de Pearl Harbor durante a Segunda Guerra ganharam sua maior visibilidade mundial no ano de 1953, quando o diretor Fred Zinnemann encabeçou a produção do clássico A Um Passo da Eternidade, longa que se comparou a E o Vento Levou pela quantidade de indicações e prêmios no Oscar (foram 13 indicações e 8 estatuetas).

A trama se divide entre os conflitos de três militares do Exército: 1 – O teimoso soldado Robert E. Lee Prewitt (Montgomery Clift), ex-boxeador, é transferido para o Havaí porque seu capitão tem a esperança de que ele ajude a equipe que está desfalcada. Porém, ele se nega a lutar, pois sofreu um trauma no passado que o afeta até hoje. A negação faz com que o capitão e os outros soldados o maltratem, quase o escravizem, abusando do poder que têm (o que funciona no filme como uma velada crítica ao funcionamento do exército americano). Quando enfim consegue um fim de semana de folga, conhece a prostituta Alma Burke (ou Lorene), interpretada por Donna Reed, por quem se apaixona e encontra forças para enfrentar seus algozes, sem nunca perder suas convicções (num belo trabalho de Clift!).

2 – O sargento Milton Warden (Burt Lancaster) protagoniza uma conflituosa história de amor com Karen Holmes (Deborah Kerr), esposa de seu capitão (e famosa por trair o marido, que não a satisfaz há tempos). A indecisão entre assumir publicamente o romance e perder seu cargo ou se transformar em oficial para poder se mudar para a Califórnia e viver feliz com a amada concedeu a Lancaster a indicação à estatueta de Melhor Ator naquele ano (mas quem levou foi William Holder, por Inferno nº 17), além de dar a oportunidade ao ator de participar de uma das cenas de amor mais marcantes do cinema (o beijo na areia da praia, enquanto as ondas molham o casal).
Curiosidade: Montgomery Clift também concorreu à Melhor Ator naquele ano.

3 – Por fim, podemos acompanhar o eixo de ligação entre as histórias, representado pelo soldado Ângelo Maggio (Frank Sinatra), italiano de temperamento esquentado, que encontra em seu caminho o sádico sargento James "Fatso" Judson (Ernest Bognine), responsável pela prisão do quartel. Quando Maggio é preso por insubordinção, tem de enfrentar seu inimigo, mas é o lado mais fraco da corda, para sua infelicidade.

Em todos os casos, o debate sobre a dualidade entre o amor pelo exército e questões pessoais é levantado e, no desfecho, observamos uma coerência entre o pensamento dos três protagonistas, independente das escolhas de cada um e das consequências geradas por essa predileção. As atuações são coesas, convincentes, porém não excepcionais (sem exceção). O destaque vai para o vencedor Burt Lancaster (merecidamente), que se mostrou pleno conhecedor da arte dramática, em um difícil papel.

Depois das inovações de Sinfonia de Paris (cores) e O Maior Espetáculo da Terra (ausência do The End), A Um Passo da Eternidade volta a ser preto e branco e a ser finalizado com a frase rotineira. O trabalho de fotografia é eficiente, através do qual podemos observar o belo litoral havaiano e nos surpreender pelas bem feitas imagens de bombardeio. Além disso, a sonoplastia ganha um brilho especial (porém tímido) com a presença de Frank Sinatra, que nos brinda com algumas canções em cenas de descontração dos soldados.

Quase totalmente desconexas de tudo que o filme mostrou do começo até as últimas cenas, as imagens do ataque aéreo japonês à base litorânea (que deveriam ser destaque no longa) ficam ofuscadas pelo desenrolar dos conflitos pessoais dos soldados, o que pode ser perfeitamente estratégia do diretor de não cair no clichê de produzir mais um filme sangrento de guerra, ou ineficiência do roteiro, que peca ao não linkar com eficácia as duas vertentes abordadas: a vida militar ea civil.

No Oscar 1954, concorreram a Melhor Filme juntamente com o vencedor: Júlio Cesar (Julius Caesar), Os Brutos Também Amam (Shane) e o maravilhoso A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday), de William Wyler.

A UM PASSO DA ETERNIDADE (FROM HERE TO ETERNITY)
LANÇAMENTO: 1953 (EUA)
DIREÇÃO: FRED ZINNEMANN
GÊNERO: DRAMA/ GUERRA/ ROMANCE
NOTA:
8,6

8 comentários:

Marcia Moreira disse...

Olá, entrei no seu blogue e gostei muito dele. Só quero fazer uma ressalva, se não se importar: Burt Lancaster não ganhou o Oscar por este papel, mas em 1961 pelo filme "Elmer Gantry"; quem levou a estatueta naquele ano foi William Holden por "Stalag 17".

Um forte abraço.

Gui Barreto disse...

Opa!! Erro..desculpem!!

Segundo minha amiga Marcia Moreira (e verifiquei que é verdade) o vencedor do Oscar em 1954 foi William Holden por Inferno nº 17, do Billy Wilder...

Já corrigi no texto!!

Márcia, obrigado pela dica e pela visita!! Bjo

Emmanuela disse...

Eu aprovei "A Um Passo da Eternidade", me envolvi com os personagens e seus conflitos psicológicos. A respeito da finalização de seu texto, prefiro decidir pela primeira explicação que afirma um distanciamento da normalidade dos filmes de guerra, ao destacar as relações pessoais dos soldados. Ótima análise.

Frank Sinatra está perfeito na retomada de seu êxito cinematográfico!

Nicolau Ponte Preta disse...

Olá td bom estou divulgando este Doc.
Se puder assitir, valea pena.Obrigado.

http://nosolhosdaesperanca.blogspot.com/

Resenha


Jânio é um rapaz de vinte anos que foi preso na orla da praia da Cidade de Praia Grande confundido de fazer parte de um grupo de jovens que promoveram um arrastão. Mesmo sem provas ficou preso durante 11 meses. Leide e Francisco a mãe e o pai de Jânio precisaram lutar para provar a inocência do filho, enfrentando a principal dificuldade que esbarra num problema social ainda não resolvido no Brasil.

"Ser pobre é ser culpado até que se prove ao contrário?"

Eliana disse...

oii Gui

olha TABUS no comentário acima...
não está em repercussão "no momento", aconteceu em 2008, porém está sempre...

bj.

Tô Ligado disse...

Fala Gui...to numa correria louca aki... acho q domingo estou de volta à blogsfera!!! abraços!!!!

Tô Ligado disse...

Fala Gui...to numa correria louca aki... acho q domingo estou de volta à blogsfera!!! abraços!!!!

Célia disse...

Olá Gui, li a sua coluna no portal Campinas sobre o filme a rede Social.
Sou da época em que o happy end era prioridade, porém concordo que os canais de tv deveriam provocar uma maior reflexão no público.
Amei seu blog a partir de hoje serei sua seguidora.