A produção, que passou para as mãos do diretor Barry Levinson, narra as mudanças comportamentais do inescrupuloso Charlie Babbitt (Tom Cruise) diante da companhia do irmão mais velho autista Raymond Babbitt (Dustin Hoffman). Quando Charlie fica sabendo da morte do pai, descobre que só herdou o carro da família, uma vez que a casa (estimada em três milhões) ficou para um beneficiário desconhecido que mora numa clínica de repouso no interior do país. Para sua surpresa, descobre que o herdeiro é seu próprio irmão (que desconhecia possuir), um autista funcional que não tem noção do valor do dinheiro.
Aproveitando-se da situação, Charlie rapta o irmão da clínica na tentativa de convencer o advogado da família a dividir em meio a meio os três milhões que apenas Raymond herdaria. Porém, a receita previsível das centenas de filmes semelhantes se repete e, progressivamente, Charlie passa a se afeiçoar por Raymond, criando uma relação fraternal com o irmão. A diferença deste longa, no entanto, está na insensibilidade de Raymond na recepção dos sentimentos do irmão, uma vez que ele nem sequer aceita que encostem nele. O desenvolvimento do respeito entre os dois se dá de maneira lenta e sutil, com Charlie aprendendo a entender as particularidades de Raymond e se dando conta do que é ter um irmão e com Raymond aos poucos abrindo mão de sua rotina sistemática e se divertindo (mesmo que às custas do interesse financeiro de Charlie).

O grande mérito do road-movie de 1988 está em tratar de um tema polêmico com naturalidade e, acima de tudo, de cuidar para que a imagem do autista não se torne um símbolo de compaixão, solidariedade ou pena, mas sim uma possibilidade de normalidade, a visão de um ser humano com erros e acertos, capaz de ter uma vida limitada, porém feliz. Mais do que isso, a produção busca demonstrar a influência positiva gerada pelo protagonista, que podia ser um empecilho para o irmão, mas que se tornou um divisor de águas para que Charlie restaurasse até sua auto-confiança.
Juntamente com o prêmio de Melhor Filme, Rain Man faturou as estatuetas de Melhor Direção, Roteiro e Ator, quase conquistando os cinco principais prêmios, feito realizado apenas duas vezes na história do Oscar (em 1935, Aconteceu Naquela Noite, e Um Estranho no Ninho, em 1976). Além desses quesitos, destaco a fotografia, que soube explorar muito bem os campos americanos durante as viagens dos irmãos pelas estradas, e o título do longa, que se encaixa perfeitamente com a sutileza proposta pela história (e que não pode ser explicado aqui, pois revela um detalhe importante da trama). Ainda concorreram a Melhor Filme em 1989: Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons), Um Secretária de Futuro (Working Girl), O Turista Acidental (The Accidental Tourist) e Mississipi em Chamas (Mississippi Burning).
RAIN MAN
LANÇAMENTO: 1988 (EUA)
DIREÇÃO: BARRY LEVINSON
GÊNERO: DRAMA
NOTA: 9,0
2 comentários:
Gosto muito de "Rain Man". Acho um dos melhores filmes do Barry Levinson, só perde, talvez, para o excepcional "Mera Coincidência", em que repete a parceria com Dustin Hoffman, lembrando no Oscar pelos 2 filmes e premiado merecidamente por este aqui. É uma grande atuação!
"Rain Man" não era meu preferido do ano, mas não repreendo sua premiação.
abraço, Gui!
Sempre ouvi falar desse filme, mas nunca havia lido nada a respeito.
Como vc sabe sabe, nao curto dramas, mas tenho tido um outro olhar depois das suas criticas.
Abracos
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