Para garantir ao espectador uma veracidade inédita na história do cinema, o diretor William Friedkin lançou mão de alguns artifícios, como um laboratório intensivo na periferia de Nova Iorque entre os dois atores e os verdadeiros Popeye e Cloudy que, em 1962, apreenderam o maior carregamento de heroína contrabandeada dos Estados Unidos; o uso do improviso nas cenas de perseguição, sem que houvesse aviso prévio à população (o que gerou alguns imprevistos na cena em que o carro do detetive segue um trem suspenso à 140 quilômetros por hora durante 22 quarteirões, resultando em vários acidentes reais que não estavam no roteiro); e a preferência pela manipulação manual das câmeras, conferindo às cenas um tom tremido e documental.
A trilha sonora contribui para criar a tensão necessária ao suspense que o diretor quis expressar no longa, auxiliando, inclusive, a amenizar a falta de diálogos do filme, que suspende explicações verbais, apoiando-se nas ações meticulosamente insinuantes para contextualizar os mais desatentos. Outro trunfo do diretor é o final da história, ambíguo e sugestivo, completado pelo desfecho das histórias reais daqueles que influenciaram os personagens. Genial! É a primeira vez, pelo menos entre os vencedores do Oscar até aquele ano, que o final de um longa fica em aberto, vulnerável a interpretação de cada espectador.
OBS: Reparem nos primeiros minutos do filme. Há um paralelismo entre cenas na América e na França, chegando ao ponto de confundir o espectador sobre qual será a principal locação do filme. Mais um ponto positivo para a proposta cinematográfica de Friedkin.
Além de Operação França, foram candidatos a Best Picture em 1972 os seguintes filmes: A Última Sessão de Cinema (The Last Picture Show), Nicholas e Alexandra (Nicholas and Alexandra), Um Violinista no Telhado (Fiddler on the Roof) e Laranja Mecânica (Clockwork Orange), considerada por alguns críticos a maior injustiça da história do Oscar. Os dois filmes são realmente muito bons, mas os gêneros são completamente diferentes e o problema de Laranja Mecânica é que envelheceu bem, mas na época de seu lançamento não conseguiu expressar sua verdadeira importância para a história do cinema mundial.
OPERAÇÃO FRANÇA (THE FRENCH CONNECTION)
LANÇAMENTO: 1971 (EUA)
DIREÇÃO: WILLIAM FRIEDKIN
GÊNERO: POLICIAL/ AÇÃO
NOTA: 8,8
3 comentários:
Esse é um dos meus filmes-fetiche. Aliás, a cinematografia do Friedkin é bárbara!
Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com
É um dos filmes que mudaram a cara do gênero policial. Sem em "Bullit" produzido um pouco antes, tivemos uma fantástica perseguição de carros, aqui William Friedkin aumentou a adrenalina e sem a ajuda de efeitos especiais como é feito hoje.
Da lista de candidatos da época, "A Última Sessão de Cinema" é um belíssimo drama.
Abraço
Que maratona é essa? Tirando o tempo perdido???
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