Sendo assim, o diretor David Lean foi contratado para contar em imagens as idéias de Spiegel, influenciado pelos textos-reportagens do francês Pierre Boulle, que conta a saga da construção de uma ponte sob um rio em Cingapura. A obra é comandada por um destacamento do exército japonês, que mantém preso na ilha um grupo de militares ingleses, obrigando-os a trabalharem sob as mínimas condições humanas. A construção, que realmente aconteceu em 1943 – durante a Guerra, é importante para a expansão da posse espacial do Japão em terras indianas, além de facilitar o transporte de material bélico.

Ao mesmo tempo em que os ingleses decidem se esforçar para provar para os japoneses que podem finalizar a tempo a ponte, o major Shears (William Holdem), único militar que havia conseguido fugir do cativeiro japonês, decide voltar para a floresta e vingar os maus tratos cometidos contra seu coronel (sem saber que ele já havia sido libertado), destruindo a ponte. Esse universo de dúvida, orgulho e competição consegue prender o espectador à história e surpreendê-lo num final espetacular e digno de aplausos.
As filmagens foram todas realizadas na Ásia, com atores nativos, instrumentos de cenas locais e um gasto exorbitante para que tudo se tornasse o mais real possível. As interpretações são coesas e corretas (isso pode soar como crítica, mas talvez prefira entender como incompreensão – ou apatia ao gênero de filme de guerra – com algumas exceções, é claro). Destaco a primeira parte do filme (a menos cansativa), na qual o coronel Nicholson é preso e constantemente torturado por Saito para que permita que seus oficiais trabalhem na construção da ponte. A pressão psicológica e a sensação de claustrofobia experimentada pelos ingleses na ilha transpassa a tela e chega até o espectador, que vive os dramas dos personagens.
Por ser longo demais (assim como Dr. Jivago e Lawrence da Arábia), o roteiro de A Ponte do Rio Kwai cansa ao “enrolar” muito para chegar à seu ápice (a explosão da ponte), entediando quem está envolvido com a história. Apesar de ser bem conhecido e elogiado (levou sete estatuetas), o longa não merecia ter ganhado de Doze Homens e Uma Sentença (12 Angry Men), obra prima do cinema clássico, nem de Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecution), do mestre Billy Wilder. Tirando as duas injustiças, ainda concorreram a Melhor Filme naquele ano: A Caldeira do Diabo (Peuton Place) e Sayonara, com Marlon Brando.
A PONTE DO RIO KWAI (THE BRIDGE ON THE RIVER KWAI)
LANÇAMENTO: 1957 (EUA)
DIREÇÃO: DAVID LEAN
GÊNERO: DRAMA/ GUERRA
NOTA: 7,5
3 comentários:
Não entrarei no mérito se o filme foi merecedor dos Oscar, principalmente porque gosto muito deste e também de "Doze Homens e uma Senteça".
Este filme é um dos grandes clássicos sobre guerra, com ótimo roteiro, interpretações e uma música tema inesquecível.
Abraço
Incrível como os filmes que ganham o OSCAR são grande e por diversas vezes intediante. Nunca consegui entender o critério de avaliação....
Bom domingo.
E ae, Gui!
pertinente a sua análise, não tiro a razão de quem ache "A Ponte do Rio Kwai" um pouco arrastado, mas eu simplsmente acho um dos melhores filmes que já levou a estatueta principal e, digo mais, um dos melhores filmes de guerra! História coesa, surpreendente e com um final arrebatador - a cena da ponte caindo é coisa de mestre! Se David Lean não vencesse aquele Oscar, certamente seria uma vergonha - embora, sim, Sidney Lumet estava lá também, sensacional como sempre.
Em suma, considero este um filme fantástico e com atuações arrasadoras. William Holden... difícil falar mal do trabalho desse cara, uber profissional =)
abraço! o/
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