06 outubro 2010

TOP 1966 - A Noviça Rebelde

Mesmo discriminados por muitos pelo seu conteúdo pueril e extremamente açucarado, os musicais sempre cativaram os fãs do gênero, encantando o mundo todo com histórias simples, felizes e descontraídas. O cinema enquanto motivador de críticas sociais se distancia do musical, que nasceu para entreter, pura e simplesmente, mesmo que nele possuam indicadores de conflitos que estejam assolando a sociedade naquele momento. É o caso de A Noviça Rebelde (um dos musicais mais famosos do mundo) que, mesmo retratando as invasões de Hitler aos países que circundam a Alemanha no final da década de 30, soube balancear a tensão política e incluir a música como disseminadora de alegria e esperança.

A história acompanha os dramas pessoais de uma noviça chamada Maria, que, incumbida de trabalhar durante um tempo como babá da família Von Trapp (por má comportamento no convento) se apaixona pelo patriarca, o capitão viúvo Von Trapp (Christopher Plummer), além de transformar a severa educação militar com a qual o pai acha que forma os 7 filhos em um saudável crescimento, regado a muita brincadeira, diversão e (é claro) música.

Para o papel principal, a escolhida foi Julie Andrews, já conhecida em alguns musicais da Broadway e aclamada por sua atuação em Mary Poppins, longa que quase levou a estatueta de Melhor Filme um ano antes no Oscar 1965. Seu traquejo com o trio música/ dança/ intepretação, além de seu cabelo curto (símbolo da rebeldia da freirinha), foram essenciais para que não houvesse adversária a sua altura para disputar o protagonismo do filme.

As canções são um show à parte. Assim como em Amor, Sublime Amor, outro sucesso do diretor Robert Wise, as letras e melodias se encaixam perfeitamente no contexto dos personagens, além de possuírem uma característica peculiar: são imprevisíveis no filme, uma vez que os primeiros versos são quase declamados pelos intérpretes que, progressivamente, entram na melodia, como se de suas falas não saíssem. A canção de introdução é outro diferencial do longa: os créditos só começam a subir na tela após um número musical apresentado por Andrews nas montanhas austríacas (começa a utilização dos prólogos, exatamente num momento de revitalização do cinema americano, que busca se distanciar do classicismo dos anos 40 e 50, mas ainda não consegue alcançar a rebeldia dos filmes dos anos 70).

Todas os pontos do roteiro são devidamente costurados pela direção, a fim de que o espectador não se canse durante as três horas de exibição, e ainda saia pedindo mais. São poucos até hoje os musicais que têm esse poder de catarse em quem os assiste. Depois de mais de quarenta anos de nascimento, A Noviça Rebelde continua empolgante, cativante e extremamente familiar. Chega a ser até educativo (vide a canção Dó-Ré-Mi e a tentativa de ensinar aos pais espectadores como melhor educar seus filhos, concedendo-lhes momentos de diversão em meio aos deveres).

Em 1966, ainda concorreram a Melhor Filme na premiação do Oscar: Darling, A Que Amou Demais (Darling), o épico Doutor Jivago (Doctor Zhivago), A Nau dos Insensatos (Sheep os Fools) e Mil Palhaços (A Thousand Clows). Naquele ano, Doutor Jivago obteve a mesma quantidade de indicações e estatuetas que A Noviça Rebelde, só perdendo para o musical pela conquista do prêmio de Melhor Filme.

A NOVIÇA REBELDE (THE SOUND OF MUSIC)
LANÇAMENTO: 1965 (EUA)
DIREÇÃO: ROBERT WISE
GÊNERO: MUSICAL/ DRAMA/ ROMANCE
NOTA: 9,3

7 comentários:

alan raspante. disse...

Cara, este filme é demais, com certeza, um dos melhores musicais do cinema. Julie Andrews, esteve maravilhosa e cativante, com certeza ela é o ponto alto do filme!

...abs.

Marcia Moreira disse...

Amoooooo este filme. Sem comentários.

Tô Ligado disse...

Adoro musicais.. nesse fds vou ver se consigo tirar meu atrazo!

pseudo-autor disse...

Esse filme é eterno! Que saudades da Julie Andrews dessa época e de Victor ou Victoria

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Claudinha ੴ disse...

Oi Gui!
Este é quase da minha idade (ops!), mas eu só fui asssitir muiiiitos anos depois na TV. Concordo com sua crítica e foi , na época, uma inovação.
E o BCI, que emoção rever nossas fotos e nossos passos nestes 6 anos, heim? Fiquei emocionada! Ah, e se puder dá uma chegadinha lá no TP num post passado, que fiz pro Gu, O Festival. O Gu merece nosso carinho e faltou você lá! Beijão, bom demais te rever!

Alice disse...

Acredita que eu ainda não vi esse filme? :(

Por isso que eu preciso de um "projeto 1/3" na minha vida um dia! rs

Adoro o blog, continue assim!

beijos!

Brentegani disse...

Três hrs de filme, nossa hein, dá-lhe garganta pra Julie. rs
Gostei do texto Gui, pra não variar, não assisti esse filme tbm...
bjs