O filme começa com o regente da corte real do império austríaco Antônio Salieri (F. Murray Abraham) que, após ser internado num hospício por tentativa de suicídio, decide revelar para um padre que o vai visitar que foi o responsável pelo assassinato de Mozart. A partir daí, começa a narrar, em estilo flashback, a relação que teve com Amadeus, desde o momento em que o conheceu, o processo de evolução de sua inveja, a fase de ódio que nutriu pelo músico, até o momento em que finalmente se viu livre da competição injusta que travavam, uma vez que Salieri admitia que não havia sido agraciado por Deus pelo talento que Ele reservou para Mozart.
É a primeira vez que assisto uma cinebiografia (mesmo que infiel) que, primeiro, fosse baseada nas memórias de um inimigo do biografado e, segundo, que invertesse a importância dos personagens, dando maior ênfase a um suposto coadjuvante do que no verdadeiro protagonista. Parece que Mozart só é importante no longa para dar sentido ao estudo psicológico de Salieri que o espectador é convidado a fazer. Para tanto, o tempo dramático é constantemente intercalado entre presente (depoimento de Salieri idoso) e passado, sem, entretanto, comprometer o ritmo da obra, que em nenhum momento é cansativa, apesar de possuir mais de três horas de duração.
A principal crítica de Salieri a Mozart (interpretado muito bem por Tom Hulce) é a de que o músico era irresponsável demais para merecer de Deus tamanho talento. Realmente, como já apontado por alguns historiadores, o comportamento de Wolfgang não era dos mais exemplares, uma vez que ele não sabia como administrar seu dinheiro, passando vários perrengues durante a vida (mesmo tendo ganhado muita grana) e bebia muito. Apesar de odiar seu rival por conta dessas características, ficava completamente fascinado quando ouvia suas composições, tendo profunda admiração pelas notas perfeitas do compositor.
Por meio de uma narrativa não-convencional, Amadeus é uma obra-prima da boa cinematografia americana, contando com uma das mais belas e bem utilizadas trilhas sonoras que eu já ouvi. Além da qualidade indiscutível das composições de Mozart (que preenchem todo o filme), as canções acompanham as emoções dos personagens, encaixando-se perfeitamente na montagem das cenas.
Além da trilha sonora, a fotografia está deslumbrante, mostrando uma Viena do século XVIII fiel a realidade. Para completar, as atuações são perfeitas (com destaque para F. Murray Abraham, que inclusive ganhou o prêmio de Melhor Ator naquele ano) e concisas, garantindo que um filme que tem três horas de duração e como base a música clássica se torne um dos mais cativantes de todos os tempos. Imperdível!
O trabalho do diretor Milos Forman foi o responsável pelas oito estatuetas conquistadas por Amadeus em 1985 (quase conseguindo a proeza de levar os cinco principais prêmios do Oscar – Filme, Diretor, Roteiro, Ator e Atriz – assim como o fez em Um Estranho no Ninho, em 1976). Naquele ano, ainda concorreram à estatueta de Melhor Filme mais quatro produções: A História de um Soldado (A Soldier’s Story), Os Gritos do Silêncio (The Killing Fields), Passagem para a Índia (A Passage to Índia, último filme de David Lean) e Um Lugar no Coração (Places in The Heart, segundo filme de Robert Benton, depois do sucesso Kramer vs. Kramer).
AMADEUS
LANÇAMENTO: 1984 (EUA)
DIREÇÃO: MILOS FORMAN
GÊNERO: DRAMA/ MUSICAL
NOTA: 9,5
2 comentários:
Este é um daqueles filmes que sempre deixamos para ver depois.
Uma pena, preciso conferir.
Abraço
Gostei de saber que foi um musical, mas o drama como sabe, não me desce.
Bom ano novo Gui.
Abracos
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