18 junho 2010

TOP 1938 - Émile Zola

Depois de um ano em que Florenz Ziegfeld mostrou ao mundo seu poder empreendedor por meio de sua cinebiografia, Ziegfeld, O Criador de Estrelas, vencedor de melhor filme no Oscar 1937, é a vez de mais uma história de vida, desta vez de uma personalidade maior, intelectualmente falando, mas que não foi tão valorizada na memória cinematográfica posterior: trata-se de Émile Zola, nome do longa vencedor do Oscar em 1938 e do seu homenageado, famoso escritor francês do século XIX.

Ao assisti-lo, tive a impressão de que as imagens haviam sido gravadas antes dos últimos vencedores dos anos anteriores, o que pode significar que a película não foi conservada com um cuidado tão grande quanto os outros. Além disso, é muito mais fácil encontrar links para download na internet para o filme de Ziegfeld. Comparações a parte, o fato de mesmo a crítica identificar Émile Zola como menor, ou mais mal produzido, não tira minha preferência por este drama bem construído e finalizado.

A história se passa na cidade natal de Zola, Paris, na segunda metade do século XIX, e perpassa a vida do ensaísta, desde o começo de sua carreira comercial, até sua morte, ao fim do principal projeto de sua vida. Começando por um sótão fétido na periferia da cidade-luz até sua mansão no centro, a vida de Émile foi dedicada à busca pela verdade e justiça social, e seu principal instrumento foi a palavra, com a qual sempre lutou contra o governo, o exército, a polícia, e todos os setores de poder da sociedade.

Com o sucesso e a fama, uma certa dose de soberba parece semear em sua mente uma pretensão desnecessária, o que faz com que um certo negativismo tome conta da trama (mesmo assim os pontos negativos de Zola não são omitidos). É graças ao seu melhor amigo, e famoso pintor da época, Paul Cézanne, que sua origem e seus valores voltam a falar mais alto, fazendo Émile recusar uma cadeira na Academia de Letras de Paris para defender Alfred Dreyfus, capitão das forças armadas, usado como pivô de uma fraude militar, e preso injustamente sob a mera alegação de ser judeu.


O filme peca ao não fazer uma conexão adequada entre a história de Zola e Dreyfus, que aparece sem mais nem menos no meio do longa. Para que possamos compreender a relação entre os dois, temos que aguardar a última cartada da esposa de Dreyfus para libertá-lo da prisão: pedir ajuda ao respeitado escritor, que vendia desenfreadamente, mesmo com os polêmicos livros libertários.

E é a partir daí que o filme ganha a vida que dá graça a ele até os últimos minutos da trama. As cenas de tribunal (OBS: adoro tribunal!!) não são as melhores que eu já vi, mas valem por dois pontos: pelas tentativas frustradas de Émile, seu advogado e a esposa de Dreyfus de defenderem o militar, mesmo com a pressão absurda e o corporativismo nojento dos membros das Forças Armadas, e pela oratória de Zola (e do ator Paul Muni, que o interpreta), responsável por uma das cenas mais memoráveis e graciosas do filme, discurso final de réu, antes do veredicto, momento em que Zola, afiado como nunca, distribui adjetivos merecidos às contradições do exército.

Apesar de pouco lembrado e produzido de uma forma "antiga", enquanto a tendência era agilizar o ritmo dos roteiros, o filme vale a pena, por apresentar aos desentendidos (como eu) a vida de um dos maiores escritores da França, contar a história (verídica) de um capitão das Forças Armadas que, com a ajuda de um escritor, motivou mudanças drásticas dentro das instituições militares futuramente e por ensinar uma lição radical, mas coesa: todo artista deve permanecer pobre, com o estômago vazio e a cabeça cheia de ideias.

No Oscar 1938, além de Émile Zola, concorreram como Melhor Filme: Beco Sem Saída (Dead End), Cem Homens e uma Menina (One Hundred Men and a Girl), Cupido é Moleque Teimoso (The Awful Truth), Horizonte Perdido (Lost Horizon), Marujo Intrépido (Captains Courageous) Nasce uma Estrela (A Star Is Born), No Teatro da Vida (Stage Door), No Velho Chicago (In Old Chicago) e Terra dos Deuses (The Good Earth).

ÉMILE ZOLA (THE LIFE OF ÉMILE ZOLA)
LANÇAMENTO: 1937 (EUA)
DIREÇÃO: WILLIAM DIETERLE
GÊNERO: DRAMA BIOGRÁFICO
NOTA: 8,2

2 comentários:

Tô Ligado disse...

Fala grande Gui... blz?

Isso que você mencionou é tão verdade, que nunca ouvi falardeste filme.

também adoro tribunais... pois o suspense destas cenas são de tirar o fôlego!

Abraços
Bom fim de semana!

Blogger disse...

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