16 setembro 2010

TOP 1965 - Minha Bela Dama

Um dos musicais mais ternos do cinema americano, que transborda meiguice e alegria em meio ao soturno universo londrino, Minha Bela Dama é um culto à beleza, à elegância, à perfeição estética e as cores vibrantes. O roteiro simples é magnificamente preenchido por números musicais cativantes, letras originais e excelentes interpretações. A história, passada no século XIX, retrata a metamorfose da vendedora de flores Elisa Doolittle (Audrey Hepburn), que tem seis meses para virar uma dama da corte inglesa e não ser descoberta pela rainha como plebéia.

Para ensiná-la, entra em cena o professor Henry Higgins (Rex Harrison), um lingüista especializado em fonética, conhecido pela sua capacidade em determinar a região exata da Inglaterra em que uma pessoa nasceu apenas pelo seu sotaque. Assim que vê Elisa, com seus trejeitos e grunhidos primitivos, vê a possibilidade de provar à sociedade londrina sua especialidade, além de alimentar o ego por ter conseguido transformar uma pseudomendiga numa princesa.

Mas a tarefa se mostrou mais árdua do que ele pensou. Grande parte do longa se destina a contar como a arredia garota se comporta em meio a uma realidade completamente diferente da sua, tendo que experimentar situações absurdas, como tomar banho todos os dias e usar espartilhos. As seqüências mais engraçadas são as que mostram a protagonista tendo que repetir incessantemente vogais, consoantes, sílabas e trava línguas para que sua dicção, entonação e sotaque se tornem mais sofisticados.

Dedico um parágrafo único para falar sobre a atuação de Hepburn. Sua displicência moral e seu forte apelo popular (no início da história) não são nada compatíveis com o garbo e a elegância da Srta. Doolittle que desponta após as aulas de Higgins. Ela é, até aquele momento na história dos vencedores do Oscar, a atriz que mais mereceu levar a estatueta de melhor interpretação para casa. Sua criação é verossímil (mesmo num roteiro fantasioso como esse), convincente e altamente flexível, além de Audrey possuir uma voz deslumbrante.

A produção se divide em dois atos: antes e depois da transformação social de Elisa. O ritmo imposto pelo diretor George Cukor é mais pulsante na primeira parte, deixando a desejar e até cansando na segunda, o que não diminui a magistral existência da obra, que envelheceu muito bem e até será refilmada, tendo como protagonistas Hugh Grant (como professor Higgins) e Carey Mulligan (Em Busca de Uma Nova Chance), substituindo Audrey Hepburn.

Minha Bela Dama levou oito estatuetas no Oscar 1965, entre elas a de Melhor Filme. Entretanto, teve que vencer a disputa, que contou com os seguintes competidores: Mary Poppins, Becket, o Favorito do Rei (Becket), Dr. Fantástico (Dr. Strangelove) e Zorba, o Grego (Alexis Zorbas).

OBS: ATENÇÃO! AINDA NÃO CONSEGUI ASSISTIR O FILME VENCEDOR DO OSCAR 1964 (AS AVENTURAS DE TOM JONES). POR ESSE MOTIVO, PULEI PARA O ANO DE 1965, MAS ASSIM QUE CONSEGUIR ADQUIRI-LO VOLTO PARA QUE SUA CRÍTICA NÃO DEIXE DE SER PUBLICADA.

MINHA BELA DAMA (MY FAIR LADY)
LANÇAMENTO: 1964 (EUA)
DIREÇÃO: GEORGE CUKOR
GÊNERO: MUSICAL/ COMÉDIA
NOTA: 9,0

3 comentários:

alan raspante. disse...

Gui, ótima resenha! Compratilho da mesma opinião que você, "Minha Bela Dama" é um musical muito bem feito e completamente agrádavel. Audrey Hepburn, dá um show de interpretação!
Agora, se não me engano, ela não canta, apenas dubla...mas não tenho certeza desta confirmação!

Abs, cara! xD

Marcia Moreira disse...

Seu texto é bom, mas, confesso, não gostei muito do filme. Quero assistir "Pigmalion", com Leslie Howard.

Abraços.

Anônimo disse...

Audrey Hepburn não ganhou o oscar de melhor atriz. Ela nem sequer foi indicada. E sim, ela dublou as músicas.