27 janeiro 2011

TOP 1994 - A Lista de Schindler

Mais uma vez afirmo aqui, publicamente, que sou anormal. Não é possível que mesmo com todas as opiniões positivas sobre A Lista de Schindler, longa vencedor do prêmio de Melhor Filme no Oscar de 1994, eu não tenha gostado muito da produção. Admito que a maioria das escolhas do diretor Steven Spielberg para acentuar o tom pacifista de sua obra foram acertadas, mas ele foi equivocado no ritmo e o roteiro só se torna atraente depois que conhecemos o que é, afinal, a tal lista. Sinceramente, gosto mais de outros filmes dele, como AI - Inteligência Artificial e O Homem Bicentenário.

Não acho que o caminho seja ser comercial, apelando para excessivas cenas sanguinolentas de guerra, como outros diretores fariam, ou seja, gostei da sutileza com que ele retrata a crueldade dos nazistas nos campos de concentração da Segunda Guerra, mas a história não me pegou, não fez com que eu me envolvesse com os personagens. Nunca fui muito fã de filmes de guerra (principalmente aqueles mais estrategistas, geopolíticos) e A Lista de Schindler apenas confirmou minha predileção por roteiros com um teor mais analítico, psicologicamente falando.

O filme mais atípico de Spielberg oferece um tom documental acerca da violência gratuita gerada pelas manifestações anti-semitistas de preconceituosos que extinguiram milhares de judeus no século XX. A fotografia em preto e branco, segundo o próprio diretor, além de funcionar como gancho de registro histórico (uma vez que na época do conflito bélico ainda não se filmava em cores), amaina a brutalidade do que se tornaria a maior de todas as guerras.

O roteiro traz como embate principal o conflito de interesses entre dois empresários que usam judeus como escravos de guerra na Cracóvia durante o Holocausto. Enquanto o sádico Amon Goeth (Ralph Fiennes) vê os trabalhadores como números, matando indiscriminada e injustamente, Oskar Schindler (Liam Neeson) é mais humano, tratando seus “funcionários” de maneira mais digna e menos cruel. Quanto mais intensa se torna a caçada contra os judeus, mais veemente tem de ser a luta de Schindler para garantir uma vida digna aos compatriotas.

As cenas de extermínio em massa, acompanhadas pela excelente trilha sonora, geram uma profunda sensação de impotência no espectador, ao mesmo tempo em que mostram às novas gerações, de maneira fiel, como se deram as atrocidades cometidas naquela ocasião. As interpretações são intensas (principalmente as dos dois protagonistas) e o conjunto da obra é eficiente, o que faz com que muitos considerem a Lista de Schindler como um dos dez melhores filmes da história do cinema (o que não é o meu caso).

Na premiação do Oscar de 1994 ainda concorreram ao prêmio de Melhor Filme mais quatro produções, sendo elas Em Nome do Pai (In The Name Of The Father), Vestígios do Dia (The Remains Of The Day), O Fugitivo (The Fugitive) e O Piano (The Piano). Nenhuma delas, entretanto, conseguiu bater as sete estatuetas (em 12 indicações) que a Lista de Schindler obteve. Uma curiosidade do Oscar daquele ano é que Steven Spielberg, além de levar a melhor com “A Lista...”, concorreu com sua grande ficção científica, Jurassic Park – Parque dos Dinossauros, nas categorias técnicas, tornando-se, definitivamente, o grande diretor que é nos dias atuais.

A LISTA DE SCHINDLER (SCHINDLER’S LIST)
LANÇAMENTO: 1993 (EUA)
DIREÇÃO: STEVEN SPIELBERG
GÊNERO: DRAMA/ GUERRA
NOTA: 8,0

2 comentários:

Tô Ligado disse...

Cara... lembro perfeitamente da primeiras vez que vi esse filme no SBT. Sei que foi bem citado na época e eu fiquei bem impressionado. Não gostei do final (tá, na epoca eu era criança).

Abracos

Kahlil Affonso disse...

Spielberg certamente acabou exagerando em algumas cenas... a cena final em que ele começa a dizer 'eu poderia ter salvado mais uma pessoa' chega a ser risória de tão superficial... mas no geral acho filme uma grande obra, merecedora do oscar

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