30 DIAS DE NOITE (30 Days of Night)
LANÇAMENTO: 2007 (EUA)
DIREÇÃO: David Slade
GÊNERO: Terror
NOTA: 8,0
Cultura e Entretenimento levados a serio! Para quem, assim como eu, passa um terço da vida dormindo, um terço estudando e trabalhando e um terço no cinema, no teatro, na internet, na TV, no MP3, em shows etc...
A surpresa mais grata, no entanto, ficou com uma produção nacional. Xingu, o novo trabalho de Cao Hamburguer (O Dia em que Meus Pais Saíram de Férias), estreou na última sexta, dia 6 de abril, e tem cara de tratado antropológico (ainda que básico) sobre a relação entre os brancos e os índios. A trama conta a história dos irmãos Villas-Bôas, que dedicaram praticamente a vida toda na construção de uma área exclusiva para os povos indígenas que sobreviveram ao impulso civilizatório dos portugueses nos séculos anteriores.Seguidores da descoberta da nova fórmula de se fazer terror, como Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado e Lenda Urbana, ou simplesmente sátiras escrachadas, como Todo Mundo em Pânico, apareceram aos montes e, aos poucos, as novas gerações se acostumaram com a dobradinha humor/ terror como um elemento essencial da nova safra.

Mesmo com uma nova febre em desenvolvimento (os chamados filmes de terror documental, como REC, A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal) Craven decidiu investir na continuação da trilogia, com o trunfo marqueteiro de que a quarta parte da série iria renovar as regras do jogo. O que se vê, no entanto, é o mesmo esqueleto dramático e as mesmas reviravoltas do roteiro, a não ser pelo fato do longa possuir um início e um desfecho muito criativos (diferente do segundo e do terceiro Pânico). Problemas de continuidade e da direção de arte continuam explícitos (assim como nós, fãs, gostamos de ver) e mesmo com o passar do tempo e a possibilidade do uso de ínumeras tecnologias, não se percebe a utilização de efeitos especiais (realismo que, para mim, é ponto positivo).
A tensão e os sustos que os primeiros filmes causam no espectador não se repetem na quarta parte, que apela mais para a comédia e o suspense. Os diálogos são homenagens à trilogia original, com engraçadíssimas tirações de sarros entre os personagens, que sofrem com uma nova chacina em Woodsbooro, 10 anos depois do fim do pesadelo de Sidney Prescott (Neve Campbell), Gale Weather (Courteney Cox) e o xerife Dewey (David Arquette). Todos acham que após a volta de Sidney à cidade (ela foi lançar seu mais novo livro, um auto-ajuda contando como foi sua superação após os assassinatos) todos que estiverem a sua volta irão morrer (o apelido de Sidney passa a ser Anjo da Morte).
Com mais idade e prestígio na pequena cidade, Prescott e Gale (que também estão super botocadas) tentam descobrir qual é a nova fórmula do assassino para tentarem evitar mais mortes (talvez essa seja a única mudança na conduta de Ghostface). Dos quatro longas, é o que possui a segunda justificativa mais plausível e verossímil para o assassino atacar, porém, é o mais deslocado em relação aos outros três (um dos principais fatores é a própria distância temporal de lançamento, obviamente). Apesar da verossimilhança em relação à justificativa, é totalmente inverossímil no que diz respeito a lógica do roteiro, como se pode perceber nos questionamentos abaixo:
Como Dewey demora tanto para chegar de um lugar a outro na cidade, sendo que desde o Pânico 1 se sabe que Woodsbooro é bem pequena? Porque não chamar reforços policiais de distritos vizinhos para auxiliar na captura de Ghostface? Qual é o objetivo em, mesmo sabendo que é para se trancar todas as portas e janelas das casas, deixar alguma passagem sem cadeado decretando, assim, seu atestado de óbito?

Outras questões inerentes ao estilo do terror pregado por Craven e até mesmo à sátira metaliguística que ele faz aparecem também no novo lançamento, como os misteriosos motivos de sair sozinho de casa quando se sabe que há algo de errado acontecendo, a mania (feia) de abrir a porta e sair pelo quintal no escuro ou subir as escadas até o sotão empoeirado (é só para afirmar que é machão?? Vai se dar mal e vai ser bem feito!), enfim, parece que todos os personagens de filmes de terror se inflam de um orgulho besta que só morrendo para se dar conta de que não é assim que as coisas acontecem...

Quem não está acostumado com toda a pompa e elegância britânicas (assim como eu) deve ter achado o casamento real de Kate e William (que foi realizado na última sexta de manhã - e divulgado incasavelmente desde então) uma chatice. E de galocha. Porque a única extravagância que consegui enxergar foi meia dúzia de gatos pingados que se encorajaram e entraram na fonte que fica na entrada do Palácio de Buckingham, para os olhos de desagrado de praticamente toda a sociedade londrina que os circundava. O motivo? Um pouco de atenção naquele dia em que todos os olhos (desde os azuis da Alemanha até os puxados do Japão) estavam ansiosos para ver tudo o que acontecia entre o casal mais amado do momento. Para que? Para ver um selinho tão ligeiro quanto minguado ou pelo simples fato de ter o que contar quando chegasse no trabalho e não passasse pelo constrangimento de ser o único a não ter perdido a manhã em frente a TV?(e eu morrendo de inveja dos ingleses que estavam curtindo o feriadão monárquico)

Se não fosse a técnica apurada e super original, a obra seria um total fracasso (pelo menos dentro do meu conceito de cinema de qualidade). Do início ao fim, artifícios inovadores de transição de cenas, trilha sonora e angulações de câmera são utilizadas freneticamente, como uma compensação pela mediocridade do roteiro. Toda a estrutura imagética do longa me remeteu a outras influências cinematográficas, principalmente da época do cinema mudo. Essa influência pode ser constatada certeiramente no prólogo da produção, quando a infância de Tom Jones é contada em preto e branco, por meio de telas negras com legendas, assim como era feito nos primeiros filmes mudos realizados, ao melhor estilo irmãos Lumière e Grifitth.
Estou falando de Quem Quer Ser um Milionário?, obra que lançou definitivamente aos holofotes da cinematografia mundial o diretor Danny Boyle. A produção homenageia a cultura indiana por meio de seu protagonista, Jamal Malik (Dev Patel), um hindu da periferia de Mumbai que resolve participar da versão do seu país do reality show Who Wants to Be a Millionaire?, por amor a Latika (Freida Pinto), uma amiga de infância que, assim como ele, perdeu a mãe para os revoltosos muçulmanos e ficou sozinha no mundo. Juntamente deles, destaca-se Salim Malik, irmão mais velho e ovelha negra da família de Jamal, que nunca quis saber de ganhar dinheiro honestamente ou ter preceitos morais de comportamento.
Wagner Moura, o mestre dos disfarces – como a Revista Bravo chamou na edição deste mês – estreia hoje nas telonas brasileiras com um multifacetado e trambiqueiro protagonista: o estelionatário Marcelo da Rocha, que ficou conhecido por se passar pelo filho do dono de uma grande empresa aérea durante um carnaval no Recife. O prazer do golpe acertou o jovem em cheio e o fez persistir no crime, aliando necessidade de sustento e alegria por poder enganar.