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18 novembro 2012

DDF2. American Pie 3 - O Casamento

DDF 2. Um filme que marcou a sua adolescência



Mãe das comédias pastelão americanas do início do século, a série American Pie ganhou novo fôlego qualitativo quando, em 2003, a terceira sequência dos filmes chegou aos cinemas. Intitulada American Pie, O Casamento (American Wedding), a produção conta os percalços de Jim e Michelle para organizarem o matrimônio prometido desde o primeiro filme, de 1999, quando o casal de protagonistas se conheceu.

Na história, as famílias e os amigos dos noivos se reúnem em torno da preparação da cerimônia e da festa que celebrará a união dos protagonistas. Em meio a situações como a celebração do noivado, a despedida de solteiro, a escolha do vestido e a cerimônia propriamente dita, muitas confusões parecem querer impedir a realização do casamento. Praticamente todos os personagens dos primeiros filmes voltam a fazer parte do casting, desta vez mais velhos e teoricamente maduros (será?).

Contrariando a lógica inerente às grandes sequências cinematográficas, que tem como prerrogativa a diminuição da qualidade ao longo das continuações, a terceira parte de American Pie é tão boa quanto o início da série. Após uma tentativa frustrada de alçar Steve Stifler (Seann William Scott) ao protagonismo na segunda parte da série, o roteirista Adam Herz decidiu por retomar como personagens principais o casal vivido por Jason Biggs e Alyson Hannigan.

O resultado é um filme repleto de situações hilárias envolvendo a sexualidade do casal central e dos amigos que parecem não ter crescido tanto assim após anos do fim do High School. Stifler continua em destaque nas cenas mais absurdas do enredo, dando o tom de besteirol que consagrou a trama no topo do sucesso. É impossível exigir qualidade técnica e/ou preciosismo dramático, uma vez que American Pie é declaradamente  comercial.

No entanto, a película desponta como líder neste segmento devido ao cuidado de toda em equipe em construir uma unidade cômica, em manter o elenco em sintonia, tirando, assim, boas gargalhadas do espectador. As demais sequências da série (oito filmes no total, até este ano) não conseguiram repetir a dose de sucesso que as primeiras partes obtiveram.

American Pie, o Casamento, além de fazer parte da minha adolescência devido ao fato de ser incansavelmente reexibido  nas sessões de cinema dos canais abertos, trouxe reflexões importantes sobre a minha própria sexualidade e me ajudou a ter liberdade e coragem para descobrir questões inerentes à adolescência. Por coincidência, foi durante uma sessão deste filme, na casa de um amigo da época, que eu dei meu primeiro beijo na boca. Rsrs

AMERICAN PIE - O CASAMENTO (American Wedding)
LANÇAMENTO: 2003 (EUA)
DIREÇÃO: Jesse Dylan
GÊNERO: Comédia
NOTA: 6,0

31 março 2011

TOP 1964 - As Aventuras de Tom Jones

Peço licença para voltar um pouquinho no tempo até o Oscar de 1964, quando um dos grandes sucessos do ator Albert Finney levou para casa a estatueta-mor da cerimônia (para quem não se lembra, Finney ultimamente participou de filmes como Traffic, Peixe Grande, O Ultimato Bourne e Erin Brockovich). As Aventuras de Tom Jones narra a história de um garoto pobre (Jones) que, abandonado, é encontrado por uma família nobre do século XVIII e criado até a idade adulta. Por carga genética (ou não – pois não se sabe quem é seu pai) Tom se torna exageradamente mulherengo, usando as mulheres do reino a seu bel-prazer e inclusive atrapalhando os planos da aristocracia local. De repente conhece Sophie Western (Susannah York), por quem se apaixona e tem de conter seus instintos para viver esse amor, fardo duro para o galinha Tom Jones.

O roteiro é simplório, sem grandes pretensões ou complexidades. O que se vê é o que se passa na tela. A caracterização dos personagens é extremamente caricata, fazendo com que a trama se torne inverossímil e boba. Não há identificação com o espectador, que espera uma história digna de vencer o Oscar, e não mais uma comédia de costumes que pretende divertir com piadas preconceituosas, de baixo calão, alusivas ao sexo e artifícios que usam o corpo para prospectar uma possível audiência.

Se não fosse a técnica apurada e super original, a obra seria um total fracasso (pelo menos dentro do meu conceito de cinema de qualidade). Do início ao fim, artifícios inovadores de transição de cenas, trilha sonora e angulações de câmera são utilizadas freneticamente, como uma compensação pela mediocridade do roteiro. Toda a estrutura imagética do longa me remeteu a outras influências cinematográficas, principalmente da época do cinema mudo. Essa influência pode ser constatada certeiramente no prólogo da produção, quando a infância de Tom Jones é contada em preto e branco, por meio de telas negras com legendas, assim como era feito nos primeiros filmes mudos realizados, ao melhor estilo irmãos Lumière e Grifitth.

Por incrível que pareça (já que acho o filme analisado o pior entre os vencedores do Oscar de todos os tempos), As Aventuras de Tom Jones conquistou, além de Melhor Filme, os prêmios de Melhor Diretor, Roteiro Adaptado (um absurdo) e Trilha Sonora (pode até ser). Antes, no entanto, teve de concorrer com quatro outros longas (sinceramente: nenhum merecedor do prêmio): Cleópatra (Cleopatra), Uma Voz nas Sombras (Lilies of the Field), América, América (America, America) e A Conquista do Oeste (How the West Was Won).

OBS: Só para constar, retomei o filme vencedor de 1964 pois não havia conseguido assisti-lo na época em que estava vendo os filmes da década de sessenta.

AS AVENTURAS DE TOM JONES (TOM JONES)
LANÇAMENTO: 1963 (EUA)
DIREÇÃO: TONY RICHARDSON
GÊNERO: COMÉDIA/ AVENTURA
NOTA: 6,0

09 dezembro 2010

TOP 1978 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

As comédias, geralmente ignoradas pela Academia, ganharam uma injeção de ânimo quando, em 1978, Woody Allen mostrou que o gênero tinha capacidade de ser valorizado com a produção Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, vencedor do prêmio de Melhor Filme no Oscar daquele ano. O renomado diretor, que continua na ativa até os dias atuais (e inclusive está lançando seu mais recente trabalho: Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos), estava no início da carreira, mas já imprimia em suas obras a verve intelectualmente bem humorada, autobiográfica, psicanalítica-comportamental, dialógica e extremamente verborrágica.

Além de todas essas características quase que incompreensíveis diante do desconhecimento de sua obra, Allen alia o preciosismo fílmico com a qualidade técnica, lançando mão de inúmeros recursos que inovam o cinema americano e permitem ao espectador novas visões sobre uma receita já desgastada pelo classicismo da maioria dos cineastas até então. A utilização da inserção do personagem na dimensão do receptor (o protagonista fala por vários momentos dirigindo seu olhar para a câmera, como se conversasse com o espectador) é um artifício assumidamente Alleniano, funcionando como uma espécie de auter-ego do próprio diretor, uma vez que ele quase sempre é roteirista de seus filmes, o que faz com que suas aspirações pessoais transcendam o papel (ainda mais nesse caso, em que Woody é também o ator principal da história).

Outros recursos técnicos inovadores no filme são: o uso da técnica de split-screen (a tela é dividida no meio e duas cenas, em tempos dramáticos distintos, ocorrem simultaneamente e “dialogam” entre si, diálogo este baseado em alguma referência de comparação); a utilização de efeitos especiais para caricaturizar os próprios personagens, numa tentativa de explicar melhor certo comportamento; flash-backs em que há a presença dos protagonistas na forma de lembrança onisciente (ou onipresente); e diversas interrupções de sequências lógicas (diálogos, geralmente), a fim de aumentar no espectador a sensação de fragmentação pela qual o relacionamento dos protagonistas passa.

Por falar neles, Alvy Singer (Woody Allen) é um comediante fracassado e pessimista com a vida que encontra em Annie Hall (Diane Keaton, Melhor Atriz – Oscar 1978) um motivo para se inspirar. A obssessão, no entanto, vai gradativamente tornando difícil a convivência entre os dois. Mais do que apenas pretexto para a risada, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa é uma profunda e complexa análise do comportamento de um casal, servindo de referência, inclusive, para projetarmos para nossos conflitos os problemas e soluções encontrados por Alvin e Annie durante o processo de separação e volta dos dois.

Começando pelo início, o filme já é inovador na introdução e continua sendo até o momento dos créditos finais. Praticamente não há trilha sonora, uma vez que o longa se atém ao diálogo, num ritmo vigoroso, constante e interminável, assim como são as discussões de casais, que quase sempre terminam em pizza (ainda mais com o humor auto-depreciativo do casal de protagonistas, no qual tanto Annie quanto Alvy duelam o título de pessoa mais estranha). É a partir de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa que Allen emplaca no mundo cinematográfico seu portfólio pessoal: intelectual acído, inseguro e hipocondríaco que ama Nova Iorque, mulheres e Jazz.

Em 1978, ainda concorreram ao prêmio de Melhor Filme no Oscar as seguintes produções: Star Wars IV – Uma Nova Esperança (Star Wars Episode IV - A New Hop, primeira parte da saga milionária de George Lucas), A Garota do Adeus (The Goodbye Girls), Momento de Decisão (The Turning Point) e Júlia. Lembrando que ainda neste ano concorria em outras categorias (não entrou como candidato a Melhor Filme) um dos grandes sucessos de Steven Spielberg: Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind).

NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA (ANNIE HALL)
LANÇAMENTO: 1977 (EUA)
DIREÇÃO: WOODY ALLEN
GÊNERO: COMÉDIA/ DRAMA
NOTA: 9,0

12 novembro 2010

1/3 ESTREIA - Muita Calma Nessa Hora

Para quem acompanha o novo humorístico da Rede Globo, Junto e Misturado (sextas, 23h), estreia hoje a mais nova comédia nacional comandada pela trupe de Bruno Mazzeo, Muita Calma Nessa Hora, que promete arrancar gargalhadas de todos. Com a participação em peso da nova safra de comediantes da TV, como Marcelo Adnet (MTV), Marcos Mion (Os Legendários), Maria Clara Gueiros, Nelson Freitas (Zorra Total) e uma ponta mais que exótica de Sérgio Mallandro, a trama conta a viagem atrapalhada de três amigas que decidem ir à praia a fim de relaxarem, mas que não aguardam encontrar muita confusão.

O diferencial do humor apresentado por esta turma é a inteligência, a criatividade e a falta de preconceitos. Numa sociedade que exige que o politicamente correto seja praticado a todo o momento, é saudável que alguns subversores façam rir sem receio de que essa ou aquela piada afete algum grupo social. Como conseguem isso? Com a sacada de incluírem tudo e todos em seus textos afiados por meio de piadas apropriadas e engraçadíssimas. Assistindo ao trailer no cinema ri muito. Espero que a dose se repita em dimensão bem maior ao longo da exibição.

MUITA CALMA NESSA HORA
LANÇAMENTO: 2010 (BRASIL)
DIREÇÃO: FELIPE JOFFILY
GÊNERO: COMÉDIA
VONTADE: 10,0

Mas hoje ainda temos, além do destaque, mais quatro lançamentos. São eles:

REFLEXÕES DE UM LIQUIDIFICADOR. Brasil, 2010. Direção: André Klotzel. Gênero: Drama.
Elenco: Germano Haiut, Aramis Trindade, Fabiula Nascimento, Selton Mello, Ana Lúcia Torre, Marcos Cesana.
VONTADE: 9,5

JACKASS 3D. EUA, 2010. Direção: Jeff Tremaine. Gênero: Comédia. Elenco: Steve-O, Johnny Knoxville, Jason ´Wee Man` Acuña, Ryan Dunn, Bam Margera.
VONTADE: 9,0

MINHAS MÃES E MEU PAI (The Kids Are All Right) EUA, 2010. Direção: Lisa Cholodenko. Gênero: Drama. Elenco: Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson, Julianne Moore, Annette Bening.
VONTADE: 9,0

RED, APOSENTADOS E PERIGOSOS (Red) EUA, 2010. Direção: Robert Schwentke. Gênero: Suspense. Elenco: Mary-Louise Parker, Richard Dreyfuss, Ernest Borgnine, John Malkovich, Morgan Freeman, Helen Mirren, Brian Cox, Julian McMahon, Bruce Willis, John C. Reilly.
VONTADE: 8,0

Semana que vem tem mais 1/3 ESTREIA. Bom fim de semana e muitas sessões a todos. Ah, não pude indicar aqui (pois só posto longas), mas hoje estreia o documentário SENNA, que conta a ascensão e queda do maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos. Não percam!

OBS: Essa é minha centésima postagem!! Pá pá pá pá pá pá (palmas pra mim)..rsrsrsrs

25 outubro 2010

1/3 ESTREIA - Piranha 3D

Essa semana os cinemas brasileiros lançam a refilmagem Piranha, terror de sucesso dos anos setenta, que volta com a inovação da tecnologia tridimensional para deixar mais real a carnificina provocada por um grupo de piranhas pré-históricas geneticamente modificadas que escapam de um experimento do governo devido a um tremor de terra, desaguando num lago repleto de universitários no interior dos Estados Unidos.

O longa, típica produção de verão de Hollywood, trabalha com a dobradinha sexo/sangue a fim de atrair mais público. Para os amantes do gênero, é mais uma oportunidade para se deliciar com uma obra que promete virar um marco para o cinema de terror americano, por incluir o 3D em sua produção.

PIRANHA 3D
LANÇAMENTO: 2010 (EUA)
DIREÇÃO: ALEXANDRE AJA
GÊNERO: TERROR
VONTADE: 10,0

Além deste, estreiam ainda esta semana:

ATIVIDADE PARANORMAL 2 (Paranormal Activity 2) EUA, 2010. Direção: Tod Williams. Gênero: Terror. Elenco: Micah Sloat, Katie Featherston, Mark Fredrichs.
VONTADE: 10,0

INSTINTO DE VINGANÇA (Tell-Tale) EUA, 2010. Direção: Michael Cuesta. Gênero: Suspense. Elenco: Brian Cox, Lena Headey, Josh Lucas.
VONTADE: 7,0

HOMENS EM FÚRIA (Stone) EUA, 2010. Direção: John Curran. Gênero: Drama/ Policial. Elenco: Robert De Niro, Edward Norton, Milla Jovovich.
VONTADE: 8,0

O SOLTEIRÃO (Solitary Man) EUA, 2010. Direção: Brian Koppelman e David Levien. Gênero: Drama. Elenco: Michael Douglas, Susan Sarandon, Danny DeVito.
VONTADE: 9,0

Desculpem o atraso dessa semana. Sexta eu volto com mais lançamentos.

01 outubro 2010

1/3 ESTREIA - Vampiros que se Mordam

Não era de se duvidar que logo logo apareceria um filme-paródia da série Crepúsculo. Começou nos anos noventa, com a talvez menos patética das gozações (Todo Mundo em Pânico), que tirava um sarro da trilogia Pânico, de Wes Craven. A partir daí, baboseiras saltaram aos montes nas telonas, com muito apelo sexual e piadas terminantemente grotescas (e sem graça, para piorar).

Essa semana estreia a tentativa de satirizar a melosa história de Stephanie Meyer (como se a original já não fosse uma piada pronta) por meio da combinação de atuações precárias e alusões ridículas a história de amor vivida entre a apática Bella e o afeminado Edward.

VAMPIROS QUE SE MORDAM (VAMPIRES SUCKS)
LANÇAMENTO: 2010 (EUA)
DIREÇÃO: JASON FRIEDBERG/ AARON SELTZER
GÊNERO: COMÉDIA
VONTADE: 5,0

Além dessa palhaçada, estreiam hoje no Brasil:

COMER REZAR AMAR (Eat Pray Love) 2010, EUA. Direção: Ryan Murphy. Gênero: Drama. Elenco: Julia Roberts, Javier Bardem, Billie Crudup.
VONTADE: 6,0

LONDON RIVER - DESTINOS CRUZADOS (London River) Reino Unidos/ França/ Argélia, 2009. Direção: Rachid Bouchareb. Gênero: Drama. Elenco: Brenda Blethyn, Sotigui Kouyaté, Roschdy Zem.
VONTADE: 4,0

EU MATEI MINHA MÃE (J'ai Tué Ma Mère) Canadá, 2009. Direção: Xavier Dolan. Gênero: Drama. Elenco: Anne Dorval, Xavier Dolan e Suzanne Clement.
VONTADE: 5,5

O SOL DO MEIO DIA. Brasil, 2009. Direção: Eliane Caffé. Gênero: Drama. Elenco: Luiz Carlos Vasconcelos, Chico Diaz, Cláudia Assunção.
VONTADE: 4,0

A todos um bom fim de semana e até a próxima sexta

P.S.: Ainda estou bem enrolado com minhas coisas, mas assim que puder volto a visitar os blogs amigos. Obrigado a todos.

10 setembro 2010

1/3 ESTREIA - Amor à Distancia

Semana passada, enquanto esperava o começo de Par Perfeito no cinema, assisti o trailer de Amor à Distância, uma das milhares de novas comédias românticas produzidas por Hollywood. Confesso que ri mais no trailer do que nos 100 minutos de Par Perfeito (mesmo adorando a Katherine Heigl, ela - e o Ashton Kutcher, deixaram a desejar). Na história, Drew Barrymore e Justin Long (namorados na vida real) brigam contra a distância (entre Nova Iorque e São Francisco) para ficarem juntos. Acontece que o que era para ser uma relação casual se transforma em amor.

Acostumado com Justin em filmes de terror (como Olhos Famintos e Arraste-me Para o Inferno), e tendo em Drew a lembrança indissociável de As Panteras, é difícil transportá-los para um gênero como esse (mesmo que, assim como no terror e na ação, a comédia romântica não exija grandes interpretações). Mas acho que vale a pena conferir, pelo menos para dar boas risadas ou ter ainda mais motivos para criticar filmes como esse.

AMOR À DISTÂNCIA (GOING THE DISTANCE)
LANÇAMENTO: 2010 (EUA)
DIREÇÃO: NANETTE BURSTEIN
GÊNERO: COMÉDIA/ ROMANCE
VONTADE: 8,0


Outras produções estreiam hoje no Brasil. São elas:

BATALHA POR T.E.R.R.A. (Battle for Terra) EUA, 2009. Direção: Aristomenes Tsirbas. Gênero: Animação. Elenco: Justin Long (Senn - voz), Amanda Peet (Maria - voz), David Cross (Giddy - voz), Danny Trejo, Evan Rachel Wood (Mala - voz), Luke Wilson (James Stanton - voz), James Garner (Doron - voz), Ron Perlman, Dennis Quaid (Roven - voz), Brian Cox (General Hemmer - voz), Chris Evans (Stewart Stanton - voz).
VONTADE: 6,0

A RESSACA (Hot Tub Time Machine) EUA, 2010. Direção: Sean Anders, John Morris. Gênero: Comédia. Elenco: Lizzy Caplan, Chevy Chase, Crispin Glover, Sebastian Stan, Clark Duke, Lyndsy Fonseca, Craig Robinson, John Cusack, Rob Corddry.
VONTADE: 7,0

SOLOMON KANE - O CAÇADOR DE DEMÔNIOS (Solomon Kane) EUA, 2010. Direção: Michael J. Bassett. Gênero: Ação. Elenco: Pete Postlethwaite, Alice Krige, Max von Sydow, Rachel Hurd-Wood, James Purefoy.
VONTADE: 7,5

LUZES NA ESCURIDÂO (Laitakaupungin Valot) Finlândia/ Alemanha/ França, 2006. Direção: Aki Kaurismäki. Gênero: Drama. Elenco: Ilkka Koivula (Lindström), Janne Hyytiäinen (Koistinen), Maria Heiskanen (Aila), Maria Järvenhelmi (Mirja).
VONTADE:
0

O REFÚGIO (Le Refuge) França, 2010. Direção: François Ozon. Gênero: Drama. Elenco: Isabelle Carré, Louis-Ronan Choisy, Pierre Louis-Calixte.
VONTADE: 3,0

Pessoal, o projeto RANKING,q ue deveria ser postado hoje (dia 10) será atualizado no domingo dia 10, por ter coincidido com o 1/3 ESTREIA. Até lá!! Bom fim de semana a todos.

23 julho 2010

1/3 ESTREIA - O Bem Amado

As estreias desta semana me deixaram indeciso entre qual iria dar destaque aqui no blog. Depois de muita reflexão, decidi que entre o terror Predadores e a comédia O Bem Amado, seria o filme nacional o felizardo a ocupar o topo da postagem e o texto de descrição.

Após adaptações no teatro e na televisão, chega às telonas a saga do prefeito Odorico Paraguassu para a construção de um cemitério público na cidade de Sucupira. Interpretado pelo excelente Marco Nanini, o líder político tem um desafio pela frente: fazer com que defuntos apareçam para que o cemitério tenha finalmente algum morador e possa ser inaugurado, porem ninguém morre na cidade. Além do protagonista, abrilhantam o filme: Matheus Nachtergaele, José Wilker, Zezé Polessa, Drica Moraes e Andréa Beltrão, entre outros.

Uma ótima pedida para quem curte cinema nacional de qualidade e boas comédias. Confesso que estou em déficit com os filmes brasileiros. Até agora ainda não vi Lula, O Filho do Brasil, Chico Xavier e nem Quincas Berro D’água. Como diria Boris Casoy, isso é uma vergonha!

O BEM AMADO
LANÇAMENTO: 2010 (BRASIL)
DIREÇÃO: GUEL ARRAES
GÊNERO: COMÉDIA
VONTADE:
10,0

Também estreiam hoje no circuito cinematográfico nacional:

PREDADORES (Predators) EUA, 2010. Direção: Nimród Antal. Gênero: Terror. Elenco: Topher Grace, Danny Trejo, Adrien Brody, Alice Braga, Derek Mears, Walton Goggins, Oleg Taktarov, Louis Ozawa Changchien, Laurence Fishburne.
VONTADE:
10,0

VENCER (Vincere) Itália, 2009. Direção: Marco Bellocchio. Gênero: Drama. Elenco: Giovanna Mezzogiorno, Filippo Timi, Michela Cescon, Corrado Invernizzi, Fausto Russo Alesi, Pier Giorgio Bellocchio, Paolo Pierobon.
VONTADE:
5,0

SEMPRE BELA (Belle Toujours) Portugal/França, 2006. Direção: Manoel de Oliveira. Gênero: Drama. Elenco: Michel Piccoli, Bulle Ogier, Ricardo Trepa.
VONTADE:
0

É isso aí...desculpem o sumiço nos blogs amigos, mas daqui a pouco tudo volta ao normal...obrigado pela visita de todos! Até semana que vem!

09 julho 2010

1/3 ESTREIA - Shrek Para Sempre

Esta semana o amistoso ogro Shrek e sua turma estreiam a última parte de sua aventura pelo mundo da animação. O esposo de Fiona, depois de arrumar problemas com o rei anão, com os pais da noiva e com todo o reino de Tão Tão Distante, tem de enfrentar as peripécias do duende Rumplestiltskin, com quem assina um pacto de quebra de protocolo, já que está entediado com a nova vida que anda levando (só dando autógrafos e sem nenhuma aventura). Preso numa realidade onde ogros são caçados e o duende enganador é o novo rei do vilarejo, só resta a Shrek reunir sua trupe e enfrentar mais essa aventura (desta vez a última) para provar do que é capaz.

Com o diferencial da tecnologia em três dimensões, as especulações de que o roteiro possa estar fragilizado pelo peso da tetralogia ganham um fôlego a mais para se manter firme junto à crítica, já que, pela repercussão internacional do longa, a história do ogro já agradou (e muito) o público.

Tenho um carinho especil pelo Shrek, já que minha primeira visita ao cinema (em 2002, quando tinha 12 anos) foi para assistir o lançamento em animação mais esperado pelo ano. Viajei com a escola para a cidade vizinha (que tinha cinema) e lembro que gastei um montão de dinheiro (dentro da minha visão do que era bastante) para vivenciar a sensação de se assistir um filme numa telona. Oito anos se passaram, me apaixonei pelo cinema, sei muito bem qual é a sensação de se estar numa sala escura e semana que vem levo meu irmão (que aos sete anos vai pela primeira vez a um cinema) para assistir a quarta parte da história do personagem responsável pela minha primeira vez (que eu não esqueço). Assim como diz o título, o Shrek para mim vai ficar para sempre.

SHREK PARA SEMPRE (SHREK FOREVER AFTER)
LANÇAMENTO: EUA (2010)

DIREÇÃO: MIKE MITCHELL
GÊNERO: ANIMAÇÃO/ COMÉDIA
VONTADE:
9,0

Além deste, estreia hoje no Brasil apenas mais um filme:

ALMAS À VENDA (Cold Souls) EUA, 2009. Direção: Sophie Barthes. Gênero: Comédia. Elenco: Paul Giamatti, Emily Watson, Paul Giamatti, David Strathairn.
VONTADE:
7,0

É isso...desculpem a demora na postagem do 1/3 ESTREIA essa semana. Na próxima sexta prometo ser mais pontual hehehe...Bom fim de semana a todos!


07 julho 2010

O Melhor do Brasil (sem Rodrigo Faro)

Como fazia tempo que não postava nada sobre música, e por isso corro o risco de fazer com que o 1/3 seja taxado como "blog de cinema", o que não é exclusivamente (mesmo com a grande maioria dos posts serem sobre tal assunto), hoje dedico estas mal traçadas linhas à descrição do show da Banda Blak Rio, acontecido no último sábado, no SESC Campinas. Dentre as variadas opções inclusas no meu leque boêmio das últimas semanas, selecionei tal evento porque não conhecia os músicos cariocas e agora não consigo me imaginar indo ao Rio sem vê-los novamente.

O espetáculo encerrou o V Forum Internacional de Ginástica Geral, reunindo mais de 300 gringos em frente ao palco. Argentinos, uruguaios, dinamarqueses, alemães, portugueses e franceses curtiram o que o Brasil tem de melhor a oferecer num show contagiante e inesquecível. Mesclando ritmos e gêneros tipicamente brasileiros, como o samba e o samba-rock, e batidas dançantes, como o funk e o black-music, o grupo de artistas mostrou um panorama de tudo que rola no país musicalmente falando. Para os estrangeiros presentes, uma oportunidade de aprofundamento do conhecimento que tinham sobre a música brasileira, e para nós, mais uma prova de que estamos no lugar certo.

Como ainda não conhecia a banda, fui pesquisar quem eram para ir para o show com alguma expectativa. Qual foi minha surpresa quando descobri que a Black Rio existe desde 1976, já gravou com vários artistas consagrados, tem algumas trilhas de novelas da Globo (como a de Locomotivas, 1978), fazem maior sucesso nos palcos britânicos e nos anos 90 foram nada mais nada menos que a banda do Tim Maia! Depois disso consegui entender o porque de eles terem tocado várias canções do eterno síndico.

O público estrangeiro não parava, tamanha era a animação e felicidade de estarem acompanhando o talento dos competentes músicos. Quando fui treinar meu espanhol com Paula Wittib, argentina que participou do fórum, descobri que os "hermanos" estavam adorando tudo, mas que não sabiam sambar direito. Para fazer uma média, "hablei" que todo brasileiro tem que saber sambar, assim como todo argentino deve saber dançar tango (mal sabe ela que eu sambo muito mal hehehehe). Ainda bem que ela não me pediu para fazer uma demonstração!!

A maior surpresa foi constatar que algumas canções brasileiras também estavam na boca dos gringos. Durante a execução de duas músicas (Azul da Cor do Mar [Tim Maia] e Chora [Beth Carvalho]) via as bocas estrangeiras tentando balbuciar o idioma desconhecido com autoridade para tanto. Foi legal saber que nossa cultura não é tão negativamente estereotipada como pensava.

Para quem quiser saber mais sobre a banda Black Rio, acesse www.bandablackrio.com e conheça seu excelente trabalho. Se tiver oportunidade, confira de perto a sonoridade do grupo. Para ilustrar a postagem, contei com a ajuda fotográfica da Juh, minha amiga. Conheça seu blog, o Bloquinho de Cultura.

OBS: O TOP 1/3 volta à ativa assim que resolver uns problemas de acesso à alguns filmes antigos.

18 junho 2010

1/3 ESTREIA - Kick-Ass

Hoje resolvi dedicar este espaço a um filme diferente, que foge às aspirações dos cinéfilos intelectuais de plantão, afinal, também de divertimento vive o homem. O longa em questão, batizado no Brasil como Kick-Ass, Quebrando Tudo (não entendi o porque do Quebrando Tudo) conta a solução encontrada pelo estudante Dave Lizewski (Aaron Johnson) para combater sua timidez descontrolada e seu medo de se aproximar da garota por quem é apaixonado: virar super-herói, ou melhor, criar um alter ego que fosse corajoso e destemido, e que pudesse investir na aproximação com a garota (o que me lembra a história da homem-aranha).

Também inspirado numa HQ homônima (produzida por John Romita Jr. e Mark Millar), a nova identidade do garoto acaba o entusiasmando tanto que ele resolve combater o crime com seus novos poderes (imaginários). O filme conta com a participação do sem-sal-nem-açucar Nicolas Cage no papel de partidário dos “rebeldes sem causa que se rebelam como super-heróis”. Deve ser hilário!

KICK-ASS: QUEBRANDO TUDO (KICK-ASS)
LANÇAMENTO: 2010 (EUA)
DIREÇÃO: MATTHEW VAUGHN
GÊNERO: AÇÃO
VONTADE: 9,0

Além de Kick-Ass, estréiam hoje nos cinemas brasileiros:

EM BUSCA DE UMA NOVA CHANCE (The Greatest) EUA, 2009. Direção: Shana Feste. Gênero: Drama. Elenco: Carey Mulligan, Susan Sarandon, Pierce Brosnan.
VONTADE: 7,0

TOY STORY 3 (2D e 3D) EUA, 2010. Direção: Lee Unkrich. Gênero: Animação. Vozes no elenco original: Tom Hanks, Tim Allen, Don Rickles.
VONTADE: 8,0

O PROFETA (Un Prophète) França/Itália, 2009. Direção: Jacques Audiard. Gênero: Drama. Elenco: Tahar Rahim, Niels Arestrup, Adel Bencherif.
VONTADE: 3,0

A JOVEM RAINHA VITÓRIA (Young Victoria) Inglaterra/Alemanha, 2009. Direção: Jean-Marc Vallée. Gênero: Romance/ Drama. Elenco: Emily Blunt, Paul Bettany, Miranda Richardson.
VONTADE: 9,0

PATRICK 1.5 (Patrick 1,5) Suécia, 2008. Direção: Ella Lemhagen. Gênero: Drama. Elenco: Gustaf Skarsgård, Torkel Petersson, Thomas Ljungman, Annika Hallin.
VONTADE: 8,0

É isso aí, semana que vem eu volto com mais novidades!

Bom fim de semana a todos

04 junho 2010

TOP 1935 - Aconteceu Naquela Noite

Já devo ter comentado aqui no 1/3 que não sou muito fã de comédias românticas, principalmente daquelas mal feitas, como a maioria das que são produzidas. Enfim, os roteiros geralmente são pobres, frágeis, cheios de incoerências e dissimilhanças, a direção é totalmente despreocupada com a estética, valorizando apenas o aspecto comercial da produção e as atuações deixam sempre muito a desejar. Depois de assistir o vencedor do Oscar de Melhor Filme de 1935, Aconteceu Naquela Noite, acho que mudei um pouco meu conceito e vou começar a prestar mais atenção aos espécimes deste nicho do cinema contemporâneo.

Cenário do embrião de todos os artifícios que as comédias românticas atuais trazem às telonas, “Aconteceu...”, um dos clássicos do diretor Frank Capra, conta a história vivida por Ellie Andrews (Claudette Colbert) e Peter Warne (Clark Gable) durante a noite em que se conhecem e se apaixonam. Ela, filha única e mimadíssima de um banqueiro magnata da Wall Street, que foge de casa para casar com um piloto playboy de Nova York e ele, jornalista fracassado, que caça uma boa história para alavancar sua carreira e sua moral junto ao seu chefe, são protagonistas da batidíssima (para nós) relação de ódio que se transforma em amor após uma convivência cheia de percalços e conspirações do destino.

Muito do que se produz hoje nessa área (em média 10 filmes por ano) tem algum aspecto que pode ser retirado como exemplo do filme de Capra. A comédia fica por conta da guerra dos sexos dos protagonistas, que volta e meia se veem em situações nas quais nem um nem outro já tenha vivido anteriormente, tendo que repensar algumas atitudes, e o romance é representado pela gradativa simpatia e paixão que um descobre pelo outro ao longo das trapalhadas que eles aprontam.


Um destaque que deve ser relembrado é a repartição em dois do quarto em que dividem por meio de um lençol pendurado, ou “a muralha de Jericó”, como inventa Peter, a fim de que tanto ele quanto ela possam se despir e trocar de roupa sem ver o outro. O lençol acaba sendo o símbolo da distância e da aproximação dos dois, uma vez que sua derrubada representa a primeira noite de amor do recém apresentado casal. Além de ser símbolo do roteiro, é também artifício técnico, em cenas nas quais apenas as silhuetas são vistas, ou as costas da protagonista colocando seu pijama, enfim, instrumento pelo qual o diretor consegue demonstrar seu poder de transformar cenas simples em belos takes de cinema.

Outro exemplo inesquecível é considerado a cena mais memorável do filme: trata-se da disputa masculina x feminina para pedir caronas. Enquanto o homem, firme diante de sua virilidade e eficácia, confia nos seus polegares infalíveis, a mulher, de posse de uma sensualidade exuberante, confia na beleza de suas pernas para parar os carros. Nem preciso dizer quem ganhou a disputa, numa das simbologias mais copiadas do cinema posteriormente. Além destes detalhes, a música é muito utilizada, através de canções entoadas por figurantes, geralmente em momentos de descontração.


Se fosse elencar e comentar todos os exemplos que serviram como referência para outras produções deixaria o meu texto maior do que já é (e olha que já reclamam que é gigante), mas valeria a pena, pois trata-se de um dos melhores filmes de todos os tempos que, 70 anos depois, ainda fascina pela ousadia com que deixou de lado os temas correntes da época (guerras, guerras e....guerras) para contar a divertida relação entre dois personagens completamente diferentes, que aprendem a se aceitar e mudam para melhorar. O roteiro é completamente previsível, mas, tendo em vista que foi lançado na década de 30, supera (e muito) as expectativas de quem o assiste.

Aconteceu Naquela Noite inovou ao vencer o Oscar nas cinco principais categorias da Academia (Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz e Roteiro Adaptado), o que aconteceu só mais uma vez na história das premiações, com Um Estranho no Ninho, de 1975. As atuações de Gable e Colbert são excepcionais, garantindo momentos de descontração, divertimento e uma verdadeira aula de interpretação (quem for assistir, prestar atenção à cena no qual os protagonistas fingem ser marido e mulher para ludibriar os detetives contratados pelo pai da moça)

Com ele concorreram: A Alegre Divorciada (The Gay Divorcee), A Casa dos Rothschild (The House of Rothschild), A Ceia dos Acusados (The Thin Man), A Família Barrett (The Barretts of Wimpole Street), Aí Vem a Marinha (Here Comes the Navy), Cleópatra (Cleopatra), Imitação da Vida (Imitation of Life), Miss Generala (Flirtation Walk), The White Parade (The White Parade), Uma Noite de Amor (One Night of Love) e Viva Villa! (Viva Villa!)

ACONTECEU NAQUELA NOITE (IT HAPPENED ONE NIGHT)
LANÇAMENTO: 1934 (EUA)
DIREÇÃO: FRANK CAPRA
GÊNERO: COMÉDIA ROMÂNTICA
NOTA: 9,5

21 maio 2010

1/3 ESTREIA - Quincas Berro D'água

Jorge Amado deve estar se revirando no túmulo. Hoje é estreia de sua mais nova montagem para o cinema: Quincas Berro D'água. Um dos autores nacionais mais polêmicos e revisitados de todos os tempos, tanto no cinema quanto nos palcos do teatro, Jorge Amado ganha agora uma versão de peso, num longa dirigido por Sérgio Machado (Cidade Baixa) e estrelado por ninguém mais ninguém menos que Paulo José, um dos atores mais renomados da dramaturgia brasileira, que interpreta o defunto Joaquim Soares da Cunha, o Quincas, que resolve compensar a monotonia da vida, curtindo a boêmia soteropolitana postumamente.

O ator, de 72 anos, sofre há 17 do Mal de Parkinson, o que o debilita consideravelmente em vários aspectos. Segundo especulações da mídia, Paulo consegue, mesmo doente, dar expressões convenientes e brilhantes ao defunto, que, depois da morte, passa a ser carregado pelos amigos beberrões pelas ruas do Pelourinho, passando por brigas, assalto e até por uma dança sanduíche (como você pode ver na foto acima).

Além do monstro Paulo José, a produção ganha destaque com as atuações de Marieta Severo, Mariana Ximenes, Vladimir Brichta, Milton Gonçalves, Othon Bastos, Walderez de Barros, entre outros. O filme é baseado na obra homônima de Jorge Amado, publicada em 1961, o que já é um atrativo para nos levar ao cinema. Tomara que eu goste do filme, porque minha expectativa é muito grande.

QUINCAS BERRO D'ÁGUA
DIREÇÃO: SÉRGIO MACHADO
GÊNERO: DRAMA/ COMÉDIA
DURAÇÃO: 104 MINUTOS
VONTADE: 10,0

Além deste exemplar do cinema nacional, estreiam hoje:

FÚRIA DE TITÃS (Clash of the Titans) EUA, 2010. Direção: Louis Leterrier. Gênero: Ação/ Aventura/ Épico/ Fantasia. Elenco: Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes.
VONTADE: 10,0

DEU A LOUCA NOS BICHOS (Furry Vengeance) EUA, 2009. Direção: Roger Kumble. Gênero: Comédia/ Infantil. Elenco: Brendan Fraser, Brooke Shields.
VONTADE: 5,0 (Só por causa da Brooke Shields)

É isso aí! Poucos filmes essa semana né? Então até mais! E obrigado a todos pelos comentários. São eles que me fazem continuar escrevendo.

21 abril 2010

Que ódio do neguinho

Durante quatro temporadas, cuja produção foi de setembro de 2005 a maio de 2009, em Nova York, pudemos acompanhar as peripécias de Chris, um garoto negro odiado por todos. Essa é a trama principal de Everybody Hates Chris (Todo Mundo Odeia o Chris, Record, segunda a sexta, 16h30), série americana de grande sucesso no mundo todo. O comediante Chris Rock (talvez um dos mais conhecidos dos EUA, que aparece aqui do lado) se baseou em sua própria adolescência e nas pessoas de sua família e convívio social na década de 80 para roteirizar os 88 episódios, que contam a saga do garoto dos 13 aos 18 anos (1982-1987).

Com uma visão caricatural dos personagens, já que estes eram alusivos, declaradamente, à pessoas reais, Chris (o autor) consegue apresentar um humor fantasioso, por vezes natural (por parte da visão dos personagens), mas que traz à tona questões polêmicas como o racismo, a discriminação, a violência, o tráfico de drogas etc., tudo num tom leve e descontráido. É a partir de características marcantes da personalidade de cada personagem que o roteiro ganha graça, como por exemplo, a mania do pai de Chris, Julius (interpretado brilhantemente por Terry Crews) de contabilizar todas as despesas de todos, ou os bordões de Rochelle (mãe de Chris, com a atuação mais que especial de Tichina Arnold) como "Eu não preciso deste trabalho. Meu marido tem dois empregos!!".

Chris Rock (que também é o narrador da série) brinca com as desgraças que viveu na juventude através de Tyler James Williams, jovem ator afroamericano que o interpreta e dá sustentação à série de aventuras do garoto negro em meio a um mundo branco e preconceituoso. Além de Rochelle e Julius, Chris tem dois irmãos: Tonya (Imani Hakim) e Drew (Tequan Richmond), também inspirados em irmãos do comediante. Diferente de outras séries biográficas, Todo Mundo Odeia o Chris não poupa nem ameniza significados reais, a favor de um significante mais estético para as telas. Todas as manias, ou trejeitos, são explorados pelo humor tocante de Chris Rock, que provoca muitas gargalhadas em todos os episódios (sei disso pois já assisti mais de 80 deles).

Uma outra característica interessante da série é a projeção feita pelo narrador aos dias atuais, com previsões (para a época), como o futuro dos personagens, comentários de presidentes que foram eleitos na década de 90, a vida de artistas que foram descobertas após ó período que o programa retrata etc., numa ponte entre os dilemas da década de 80 e o que viria depois. Todos os nomes de episódios começam com "Todo mundo odeia...(alguma coisa)", em referência ao título da série, que teve inspiração em outra produção: "Everybody loves Raymond", também de sucesso nos EUA na década de 2000.

Dizem as más línguas que as gravações terminaram por dois motivos: em 1988, ano que seria retratado numa possível quinta temporada, o pai de Chris, Julius, morreu de uma complicação na úlcera (o que influenciaria no andamento do roteiro), e também foi nesse ano que Chris Rock começou sua carreira como comediante (evidentemente, a série trataria desse assunto, mas fugiria de seu objetivo primordial, que era contar como foi a vida do garoto antes do nascimento do artista).

Quem gosta de séries cômicas, mas ainda não conhece Todo Mundo Odeia o Chris, não perca mais tempo. Além de muitas risadas, você acaba conhecendo a vida de Chris Rock, suas dificuldades, suas angústias de adolescente, suas descobertas, numa das séries biográficas mais divertidas de todos os tempos.

15 abril 2010

A comédia na TV

Desde os primórdios das civilizações, o humor rodeou o imaginário popular como uma válvula de escape para os problemas cotidianos. É através da esculhambação de inúmeras personagens caricaturais que ousamos (mesmo que não diretamente) pensar em fazer aquilo que sempre tivemos vontade, mas a coragem nos impedia.

Antigamente, o humor se condicionava a fazer rir apenas através de situações que envolviam a humilhação física dos envolvidos ou a discriminação de um grupo social inferior, como é o caso dos bobos das cortes medievais, os poemas de Bocage, as lutas desleais entre gladiadores e leões na Grécia antiga (que sempre acabavam em (divertidíssimos!!!) estraçalhamentos dos corpos dos coitados), entre outras situações.

Com a advento do cinema, já no século XX, e o aparecimento das chanchadas, ou comédias de costumes, um novo tipo de humor se configura: o escracho, em que tombos, afogamentos, queimaduras, tropeções e situações que não envolvam raciocínio sejam valorizadas. Hoje, esta forma de se fazer rir ainda é utilizada na televisão, mesmo que um pouco transformada, com exemplos como A Praça é Nossa (SBT, quinta, 23h15), (para mim, o maior lixo da televisão brasileira), Zorra Total (Globo, sábado, 22h15), Uma Escolinha Muito Louca (Band, sexta, 22h15), As Aventuras do Didi (Globo, domingo, 12h30), que ficou no tempo, assim como os ultrapassados e inconvenientes Didi e Dedé e Os Caras de Pau (Globo, domingo, 13h15), única experiência deste pacote que consegue falar com todos os tipos de público e conta com o talento de dois dos maiores comediantes vivos: Marcius Melhem e Leandro Hassun.

OBS: Odeio as risadas que são utilizadas como sonoplastia nestes programas para tentar aguçar um riso contido dentro do espectador. Em mim só aguça a vontade de mudar de canal.

Para quem gosta de rir, a televisão atualmente oferece gargalhadas aos montes para todo o tipo de temperamento. Ontem, zappeando pelos poucos canais que a rede interna de TV do meu prédio me oferece, parei na MTV quando passava Comédia MTV (MTV, quarta, 22h30) e me deparei com um programa de auditório, apresentado por Marcelo Adnet (uma das revelações do humor em 2009), que lança mão de esquetes totalmente absurdas, nas quais os atores/humoristas da emissora retratam o cotidiano através de uma visão crítica e divertida.

Programas como o Pânico na TV (Rede TV, domingo, 21h) e o Show do Tom (Record, sábado, 22h30) também oferecem a mesma proposta, com quadros criativos, engraçados, e que se baseiam em imitações, piadas sarcásticas, inteligentes, rápidas e que tem como "muletas" os erros e programação das outras emissoras. Ainda sim são criticados pelos intelectuais, que alegam se tratar de um conteúdo vazio e banal. Eu adoro assistí-los nos momentos de descontração!!


Na onda dos seriados cômicos, a Globo entra na frente na disputa com A Grande Família (Globo, quinta, 22h15) e S.O.S Emergência (Globo, domingo, 23h), duas produções mornas, que são facilmente superadas por obras antigas, como Os Normais, Toma Lá Dá Cá e A Diarista.

De uns tempos para cá, o humor vem se apresentando mais comprometido com a crítica social, com a política, com as questões do país. É a partir desta tendência que surgiram programas como o CQC (Band, segunda, 22h15) e o Legendários (Record, sábado, 22h), dois projetos que visam o humor com seriedade, requinte, inteligência, o que faz com, por vezes, não sejam classificados como programas de humor, mas de jornalismo ou variedades.

O Casseta e Planeta, Urgente (Globo, terça, 22h15) tenta há muitos anos se consolidar como uma éspecime deste grupo, mas, a cada tentativa, escorrega mais na sua própria incompetência (por favor Globo, tire o Casseta do ar. Há tantas coisas melhores que podiam estar num horário nobre como este!!)

Uma proposta interessante que a MTV implantou em sua programação, mas que não se adequa a nenhuma classificação acima, é o telejornal Furo MTV (MTV, segunda a sexta, 22h30), no qual os apresentadores Dani Calabresa e Bento Ribeiro comentam as notícias do dia de uma bancada num jornal nada convencional.

Na onda da contemporaneidade, época em que tudo acontece rapidamente, a comédia ganha espaço com a improvisação, prática cada vez mais utilizada por comediantes, que se baseiam na incerteza e na criatividade para fazer com que o público se divirta (e participe também). Na TV atual, temos dois exemplos: o É Tudo Improviso (Band, nova temporada em breve), cópia, em todos os sentidos, do Quinta Categoria (MTV, quinta, 22h30).

Outra forma de se fazer rir que se instaurou nos últimos anos em nosso país é o stand-up comedy, prática na qual um comediante, sozinho e sem caracterização, brinca com situações cotidianas, através de seu ponto de vista. Mais uma forma sofisticada de se fazer rir, o stand-up, que é predominante no teatro, chega às telinhas com o 15 Minutos (MTV, todos os dias, 21h45), encabeçado pelo multifacetado Marcelo Adnet, e o Badalhoca (MTV, sexta, 00h15), que é, na verdade, um sit down comedy, já que Ronald Rios fica sentado contando suas experiências cômicas.

E para fechar o pacote, para os mal humorados de plantão, que gostam de um humor negro, cruel e preconceituoso, a MTV criou o Fudêncio (MTV, segunda, 00h15) e o Infortúnio (MTV, terça, 00h15), dois desenhos animados que brincam com a desgraça alheia, o que pra muitos é diversão.

Todos os telemaníacos têm motivos de sobra para não ficar sem rir, já que as opções são inúmeras. Cabe a você julgar o que é melhor: se um humor requintado e inteligente ou escrachado e preconceituoso. Divirta-se!!

OBS: Se eu esqueci de comentar alguma produção que está no ar atualmente, me avisem por favor.

25 março 2010

It's not too complicated!!

, OEu sempre critiquei comédias românticas por elas traduzirem, numa série de fatores, inúmeros motivos para que você saia do cinema, ou desligue o DVD, sem o menor contentamento ou vontade de repetir a dose. Assim como os livros de auto-ajuda (blá!!), as comédias românticas são doses cavalares de água com açúcar, que pretendem aconselhar, mas acabam deprimindo mais ainda, através de exemplos estereotipados.

Em 2009, porém, me deparei com uma exceção: o filme "500 Dias com Ela", do estreante Marc Webb, que trata com realismo e honestidade o amor e seus efeitos nas pessoas. “Uma história de amor que tem como pressuposto não contar uma história de amor”, como o próprio protagonista desabafa no início do filme. Recomendadíssimo!!

Fiquei feliz ao decepcionar meu preconceito...

Com a mesma sensação, fui ao cinema esta semana assistir Simplesmente Complicado, da melosíssima Nancy Meyers, confiante num roteiro que fugisse das convenções sentimentais que assolam o cinema hollywoodiano, e as suas próprias obras anteriores, como O Pai da Noiva 2 (1995) e Alguém tem que Ceder (2003). Mas me enganei. Meu preconceito foi corroborado pela sequência de inutilidades exibida.

Jane (Meryl Streep) é mãe de três filhos e está celebrando 10 anos de sua separação com o advogado Jake (Alec Baldwin), com quem mantém uma relação aparentemente amistosa, quando, na festa de formatura do filho mais novo, bebe além da conta a acaba na cama com o ex-marido!

O problema é que o personagem de Baldwin está casado com outra mulher (bem mais jovem que Jane) e, a partir desta relação casual, começa a se “reapaixonar” pela ex. Porém os dois não contavam com a aparição de Adam (Steve Martin), arquiteto de Jane, que também se apaixona pela protagonista (arquiteto este que, ao reformar a casa de Jane, busca, numa metáfora medíocre, reformar a própria vida da protagonista...coisas de Meyers!)

O filme todo é uma terapia, com longos conselhos, aflições, angústias da meia idade(e as caras e bocas de Streep). Ouso reclassificar o longa como um Romance-Cômico, já que as nuances românticas/dramáticas são mais trabalhadas do que propriamente a comédia, mesmo que num tom claramente superficial, cujos cenários são repletos de representantes clássicos da burguesia americana, ignorando a existência das outras classes sociais.

A sequência de conflitos familiares poderia ter sido mais bem aproveitada, no que diz respeito a profundidade na abordagem destes conflitos, já que, assim como o próprio nome do filme sugere, mas não cumpre, a vida, e suas relações e sentimentos, é por vezes simples, ao mesmo tempo em que bem complicada.

Situações “clichê” são frequentemente retomadas, através de uma irritante enxurrada de estereótipos, como o grupo de amigas que se reúnem depois da transa para falar mal do ex da afetada, a protagonista que já sabe o que fazer, mas recorre ao amigo-terapeuta só para preencher cenas, a insegurança dos personagens que já passaram dos 40, ou 50, diante do risco de perderem seus parceiros para jovens sedutores etc.

Destaco como o ÚNICO motivo interessante para reservar 120 minutos do deu tempo assistindo Simplesmente Complicado é a atuação de Meryl Streep, que continua absorvendo todo e qualquer personagem e conseguindo transmitir a carga dramática que ele possui (mesmo que isso signifique representar uma madame supérflua e presa aos conceitos do “branco-rico”).

Parece que algo de Julie Child (último personagem de Meryl no cinema, no filme Julie & Julia, de 2009) ainda permanece na atriz, que se mostra habilmente treinada na gastronomia (também francesa!) como dona de uma padaria de luxo. É uma pena que um talento como o dela seja desperdiçado num texto tão pobre!!

Steve Martin parece que gravita numa outra dimensão durante o filme. Absorto na tentativa de não fazer o público rir (já que interpreta um divorciado/nerd/tímido), ele não atua, vegeta. Seu potencial emerge quando a comédia ganha um destaque, mas logo afunda no seu lago do esquecimento novamente.

Um filme fraco, do ponto de vista crítico, mas que ganha nas atuações (inclusive de Alec Baldwin e seu jeito canastrão de ser) e no aspecto comercial, já que Nancy Meyers consegue, mais uma vez, atingir seu público alvo, as “senhoras” de meia idade, que se identificam com Jane, e podem sonhar durante a sessão em serem disputadas por dois homens ao mesmo tempo (talvez esse seja o sonho da diretora, que insiste tanto nesse tema).

Qual será a próxima empreitada de Meyers? Quem sabe ela não se junte a Stephanie Meyer (que, ironicamente, tem o mesmo sobrenome) e as duas lancem uma série de TV, ou um filme sobre os conflitos dos vampiros amantes e sensíveis de meia idade...pelo menos conseguem lotar as salas de cinema....

OBS: Acho que eu era o único expectador abaixo dos 40 anos na sala (e um dos poucos homens)...

SIMPLESMENTE COMPLICADO - IT'S COMPLICATED

LANÇAMENTO - EUA (2009)
DIRETOR: NANCY MEYERS
GÊNERO: COMÉDIA ROMÂNTICA
NOTA: 6,0