02 maio 2011

Dá-lhe Lady Kate

Quem não está acostumado com toda a pompa e elegância britânicas (assim como eu) deve ter achado o casamento real de Kate e William (que foi realizado na última sexta de manhã - e divulgado incasavelmente desde então) uma chatice. E de galocha. Porque a única extravagância que consegui enxergar foi meia dúzia de gatos pingados que se encorajaram e entraram na fonte que fica na entrada do Palácio de Buckingham, para os olhos de desagrado de praticamente toda a sociedade londrina que os circundava. O motivo? Um pouco de atenção naquele dia em que todos os olhos (desde os azuis da Alemanha até os puxados do Japão) estavam ansiosos para ver tudo o que acontecia entre o casal mais amado do momento. Para que? Para ver um selinho tão ligeiro quanto minguado ou pelo simples fato de ter o que contar quando chegasse no trabalho e não passasse pelo constrangimento de ser o único a não ter perdido a manhã em frente a TV?(e eu morrendo de inveja dos ingleses que estavam curtindo o feriadão monárquico)

Só sei que a noiva se atrasou mais de um minuto para chegar na Abadia de "alguma coisa" e a incrível marca de 40 segundos para sair na sacada de Buckinham para o tão esperado (e frustrado) beijo dos noivos. Que desrespeito com as milhões de pessoas que tiveram de aguardar! (se ela soubesse das horas e horas de fila que o pessoal do SUS e do INSS enfrentam todos os dias nas bandas de cá ela se daria por agradecida por ter tido sorte de conhecer William). Imagine a vida infernal que a ex-plebeia vai ter daqui para frente. Colocando na ponta do lápis, os prós devem vencer a disputa, mas que deve ser um saco ser da família real britânica, ah deve ser...só de ter de ver a cara feia do príncipe Charles todo dia já deve ser horrível.

Voltando ao casamento: o que foi aquela festa milionária hein? Por mais que seja desperdício, temos de concordar que, enquanto a população londrina trabalha para sustentar dezenas (ou até centenas) de membros da corte real, nós, brasileiros, pagamos milhões em impostos para dar uma vida de ostentação a milhares de políticos corruptos e incompetentes. Pelo menos lá eles têm a vantagem de ser representados diplomaticamente por uma figura aparentemente ilesa de qualquer julgamento e, melhor ainda, que não manda em nada nas decisões do Parlamento. Rainha Elizabeth: um joguete nas mãos dos estadistas.

Milhões se acotovelaram nas antigas ruas de Londres e mais milhões zapearam sem parar o controle remoto até encontrar o melhor ângulo de visão e os comentaristas menos medíocres para acompanharem minuto a minuto o evento da década. Não vou dizer que me orgulho de ter visto o primeiro casamento real da minha vida (já que em 1981, quando do casório da Lady Di, eu ainda nem era projeto e também porque meu sangue latino fala mais forte e não sou muito fã de erudições e cerimônias sofisticadas), mas foi uma experiência legal ver a mobilidade social de praticamente todo o planeta ao redor do matrimônio. Eu ainda clamei por algum incidente, como uma bala perdida, uma queda, um arrastão, um ataque terrorista, sei lá, algo que subvertesse a ordem e treinasse a capacidade de improvisação dos guardas-de-cabeça-de-cotonete-preto-gigante.

Alguém tem dúvida de que se o casamento real fosse no Brasil ia dar merda? Imaginem primeiro que os gringos, sempre surpresos com a nossa pobreza, iam querer unir as alianças no topo do morro do Alemão, ao som de Zeca Pagodinho, churrasquinho de gato para os convidados, muita caipirinha e mulata sambando a rodo. Os camelôs e os vendedores ambulantes de comida iam lucrar fácil com a comitiva de bolsos europeus e, é claro, o encerramento do casamento ia ser o show da Ivete Sangalo (melhor ainda: ela podia entrar com as alianças cantando Poeira e ainda ficar dançando em volta dos noivos até obrigar os dois a darem um beijo de língua sob a narração do Galvão Bueno. "Vai que é tua Willião!!!" - tudo sob o comando do cerimonial oficial da Liga dos Traficantes Cariocas). Eu acho chique! Exageros à parte, o casamento real nos moldes tupiniquins ia ser bem mais divertido, sem o garbo insuportavelmente chato do pessoal do Reino Unido. Prefiro a brejeira brasileira.

Por falar em brejeirice, espiem só esse vídeo que achei no Youtube. É uma paródia do casamento, com sósias (realmente parecidas) e réplicas das roupas usadas na cerimônia original. Não é a versão brasileira, mas já consegue fugir da monotonia que tomou conta dos noticiários na semana que passou (e que já foi esquecida pela morte do Osama).



E depois do fim da festa? Ficaram só as recordações de mais um conto de fadas contemporâneo que começou capenga. É que nem lua-de-mel os pombinhos foram fazer. Segundo os sites de notícia da internê, eles passaram o fim de semana no Reino Unido mesmo e adiaram a viagem (que não se sabe se chegou a existir mesmo que em projeto) sem data definida. É, parece que a festa saiu mais cara do que se esperava...

4 comentários:

Tô Ligado disse...

Um show da Ivete no casamento seria tudo hein??? huahauha

Alan Raspante disse...

Essa Casamento no Brasil ia dar MUUUUUITA merda! hahaha

ligadona disse...

Acho que não é só porque foi um casamento real que era pra esbanjar riqueza nem nada. Eu achei o casamento bem romântico, inocente, da maneira que a princesa sempre foi retratada. É tudo uma questão de tradição. Adorei a paródia! rsrs..
=1

o Humberto disse...

Hahahaha, eu AMO essa paródia, já tinha mostrado hoje pra uma aluna minha.

Oha, quanto ao casamento, saudades de Lady Di. Era outra coisa, eram outros tempos. Eu acho um absurdo que se insista nisso de monarquia em pleno século XXI. Tá na hora da "rainha" arrua umas trouxas de roupa pra lavar e cair na real -- sem trocadilho.