
Em contrapartida, de vez em quando, ouço alguns argumentos, não propriamente de defesa, mas de adaptação social. Vou explicar. Já que a sociedade de massa, contemporânea, valoriza, e por vezes banaliza, questões essenciais para o enriquecimento humano, como a propagação da cultura, das artes, de um pensamento crítico sobre a política etc, nós, comunicadores, temos a obrigação de nos adaptarmos ao "sistema", falarmos todas as linguagem, ao ponto de termos que estar por dentro das novidades e tendências de todas as tribos. A diferença que nos separa de meros espectadores é a visão crítica imposta sobre a produção destas atrações, e o distanciamento da alienação que pode ser provocada por estes formatos.
A saída, na minha opinião, não é condenar, sem antes comprovar as sutilezas encobertas pela baixa qualidade da produção, como a possibilidade de um estudo antropólogico da natureza humana, através das relações interpessoais dos participantes, a polemização de assuntos de importância (e omissão) social, como a homossexualidade, o preconceito, a tolerância etc..
É evidente que a maioria das etapas de produção das edições do programa são condenáveis, como a preferência pelos padrões de beleza estipulados pela sociedade moderna, a exacerbada utilização do merchandising, como consequência da superestimação da Indústria Cultural, principalmente por estar inserida numa sociedade de consumo, como a brasileira, e o processo de edição, que valoriza por vezes o politicamente incorreto, a fim de, exclusivamente, conquistar audiência através do sofrimento alheio.
Como confessado na postagem de 17/12/09, em que questiono o resultado final do Ídolos 2009 (veja post completo em http://1terco3.blogspot.com/2009/12/o-no-novo-idolo-do-bra-brasil.html), adoro acompanhar qualquer tipo de reality show, seja ele musical, esportivo, cultural, entre outros. Não acredito que este prática reduza minha capacidade intelectual, muito menos me emburreça, uma vez que, como já afirmei, a faço com o distancimento necessário para que a alienação provocada por este tipo de programa não interfira no meu cotidiano. Além disso, não deixo de prestigiar algo que realmente me enriqueça para acompanhar um reality show. Considero como um hobby, uma hora de lazer, de entretenimento.
Resolvi discutir este tema, pois, como a maioria sabe, hoje chega ao fim a décima edição do Big Brother Brasil, que, desta vez, bateu todos os recordes possíveis, com indíces de audiência altíssimos e votações que chegaram a casa dos 120 milhões em participação. Duvido que todos os telespectadores do BBB (mais de 60% da população) sejam ignorantes, do ponto de vista intelectual. Prova disso é o próprio apresentador do programa, Pedro Bial, considerado um dos melhores jornalistas do Brasil.
Ser tão radical a ponto de ignorar as tendências de sua própria sociedade é recusar a comunicação. E essa prática surgir exatamente de aspirantes ao jornalismo, ou seja, comunicadores, é, no mínimo, desanimador.